🏛️ POLÍTICA | Muchanga pede saída de Ossufo Momade e compara líder da RENAMO a Gorbachev: “Está a destruir o partido”

Maputo – O membro sénior da RENAMO e deputado da Assembleia Municipal de Maputo, António Muchanga, defendeu publicamente a saída imediata de Ossufo Momade da liderança do partido, acusando-o de conduzir a formação política para um processo de desagregação interna e colapso político.

Em entrevista recente, Muchanga comparou Ossufo Momade ao antigo líder soviético Mikhail Gorbachev, responsabilizado historicamente pelo fim da União Soviética, afirmando que o actual presidente da RENAMO está a seguir um caminho semelhante.

“Os passos que Ossufo Momade está a dar são iguais àqueles que Gorbachev andou a marcar para destruir a União Soviética”, afirmou.

⚖️ “Capitão cansado” e sabotagem interna

Para António Muchanga, Ossufo Momade já não reúne condições políticas nem estratégicas para liderar a RENAMO, descrevendo-o como um “capitão cansado” que deve abandonar o comando para evitar danos irreversíveis.

“Neste momento ele não quer, simplesmente não quer. Está a sabotar o partido”, acusou.

O deputado considera que Momade se comporta como “o pior jogador em campo”, sem visão política, fazendo “passes falsos” e demonstrando uma postura relaxada perante os desafios do país e da própria organização.

🗳️ Eleições autárquicas e perseguições internas

Muchanga apontou ainda a falta de reflexão interna após as eleições autárquicas de 2023, nas quais a RENAMO reclama vitória em 22 municípios, mas apenas quatro lhe foram oficialmente atribuídos.

No mesmo contexto, denunciou alegadas perseguições políticas internas, com destaque para o afastamento de figuras críticas da liderança, como Venâncio Mondlane, o que, segundo ele, fragiliza ainda mais o partido.

🔇 Silêncio perante crises nacionais

Outro eixo central das críticas é o que Muchanga classifica como “silêncio total” de Ossufo Momade face a crises nacionais graves, incluindo a insurgência armada no norte e as cheias que afectaram várias províncias.

“Houve cheias em Nampula, nunca ouvi nada. Houve assassinato de garimpeiros em Mogovolas, nunca ouvi nada, na própria terra natal dele”, afirmou.

Para o político, um líder partidário deve assumir um papel activo e público, comparando a liderança à figura paterna:

“Quando as crianças choram, o pai deve falar. Nem que seja para mostrar que está ali alguém.”

📜 Acusações de gestão antidemocrática e opacidade financeira

Muchanga acusou ainda Ossufo Momade de violar os estatutos da RENAMO e a Lei dos Partidos Políticos, ao indicar membros para o Conselho Nacional e delegados ao Congresso sem eleições, recorrendo a nomeações directas.

No plano financeiro, denunciou a ausência de prestação de contas, questionando o destino dos fundos provenientes do Estado, da Assembleia da República e das cotizações dos membros.

“Não se quer prestar contas do dinheiro que sai do governo, da Assembleia da República e das nossas cotizações”, denunciou.

Segundo Muchanga, a direcção usa a alegada falta de fundos como justificação para não realizar reuniões ordinárias nem um congresso extraordinário.

🚨 Incidentes em Maputo e desaparecimentos em Tete

A entrevista revelou ainda episódios polémicos na província de Maputo, onde elementos ligados à liderança terão alegado falsamente que a sede do partido foi atacada pela chamada “Junta Militar”, numa tentativa de envolver a polícia contra membros críticos da RENAMO.

Muchanga classificou o episódio como uma “vergonha grande”.

Num tom mais grave, mencionou o desaparecimento da família de Matsangaíssa Júnior, em Tete, afirmando que chegou a ser questionado pela Procuradoria-Geral da República sobre uma eventual ligação da liderança do partido ao caso.

🔮 Futuro da liderança da RENAMO

Apesar das críticas contundentes, António Muchanga afirmou não ter ambições imediatas de assumir a presidência do partido, mas defendeu a substituição urgente de Ossufo Momade.

“Quando o capitão está cansado, a melhor coisa é pedir para sair e entregar a braçadeira a outro”, afirmou.

Para Muchanga, a RENAMO continua a ter potencial político e organizativo e pode reerguer-se em poucos meses, desde que o actual líder deixe de ser, nas suas palavras, “o principal obstáculo”.

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