Visita de Xi Jinping à Coreia do Sul deve reforçar cooperação económica e consolidar parceria estratégica

SEUL, 30 de Outubro (Xinhua) – O Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, participa esta semana na 32ª Reunião de Líderes Económicos da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), em Gyeongju, e realiza uma visita de Estado à Coreia do Sul, de 30 de Outubro a 1 de Novembro, a convite do Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung.

A sociedade sul-coreana aguarda o encontro com grande expectativa. A visita é vista como uma oportunidade para aprofundar a confiança política mútua, consolidar as relações económicas e comerciais, fortalecer a amizade entre os povos e elevar a parceria estratégica entre a China e a Coreia do Sul a um novo patamar, com benefícios concretos para ambos os países.

Nova Etapa nas Relações Bilaterais

Após onze anos, Xi Jinping regressa à Coreia do Sul.
“A visita servirá como um catalisador importante para reforçar a boa vizinhança e a amizade entre os dois países. Espera-se que os líderes reforcem a confiança mútua, construam consensos, e promovam uma cooperação mais dinâmica nos domínios económico, comercial e cultural”, afirmou Yoon Hu-duk, deputado da Assembleia Nacional sul-coreana.

Durante a sua visita de Estado a Seul, em Julho de 2014, Xi Jinping proferiu um discurso na Universidade Nacional de Seul, sublinhando a importância da amizade e cooperação sino-coreanas.
Woo Su-keun, director do Instituto de Estudos do Leste Asiático da Coreia, recorda: “Aquela visita foi um marco no desenvolvimento das relações entre a China e a Coreia do Sul. Agora, esperamos ouvir novas iniciativas de Xi para aprofundar essa parceria.”

Desde o estabelecimento das relações diplomáticas em 1992, os dois países ultrapassaram diferenças ideológicas e sociais, promovendo intercâmbios e cooperação em múltiplos sectores, num esforço partilhado de desenvolvimento e prosperidade.

Em Junho, durante uma conversa telefónica, Xi afirmou ao Presidente Lee que a China e a Coreia do Sul devem manter-se fiéis ao espírito que presidiu à criação das relações diplomáticas, defendendo a boa vizinhança e a amizade, e trabalhando para resultados de benefício mútuo.

Ban Ki-moon, presidente do Fórum de Boao para a Ásia e ex-secretário-geral das Nações Unidas, fala durante uma entrevista à Xinhua, em Seul, Coreia do Sul, a 1 de Outubro de 2025. (Xinhua/Yao Qilin)

O ex-secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, destacou à Xinhua que “a visita de Xi é um forte sinal de aprofundamento das relações sino-coreanas. Como vizinhos estratégicos, ambos têm responsabilidades comuns na manutenção da estabilidade regional e no fortalecimento das cadeias de abastecimento.”

Cooperação Económica e Benefício Mútuo

No Porto de Incheon, um dos principais centros logísticos da Coreia do Sul, contentores de companhias chinesas são constantemente carregados e descarregados por gruas automatizadas.
“Cerca de 60% do volume total de contentores movimentados em Incheon tem como destino a China”, revelou Nam Sang-ki, director-geral da Sun Kwang Newport Container Terminal Co., Ltd.

Visitantes observam o pavilhão da Coreia do Sul durante a Feira Internacional da China para o Comércio de Serviços (CIFTIS) 2023, realizada no Centro Nacional de Convenções da China, em Pequim, capital chinesa, a 4 de Setembro de 2023. (Xinhua/Ren Chao)

Segundo Nam, a visita de Xi Jinping vai “injectar nova vitalidade” em sectores como a logística portuária, a manufactura e o desenvolvimento de portos inteligentes e ecológicos.

Desde a normalização das relações diplomáticas, há 33 anos, a cooperação económica e comercial entre os dois países registou avanços notáveis. Em 2024, o volume de comércio bilateral atingiu 328,08 mil milhões de dólares norte-americanos, um crescimento de 5,6%.

A China é o maior parceiro comercial da Coreia do Sul há 21 anos consecutivos, enquanto a Coreia do Sul ocupa o segundo lugar entre os parceiros comerciais da China.

Yoon Do-son, presidente da CJ China, disse acreditar que “a visita criará um ambiente político positivo e aumentará a confiança das empresas. O fortalecimento das relações a nível de chefes de Estado favorecerá as parcerias industriais e comerciais.”

O Acordo de Livre Comércio China–Coreia do Sul, em vigor desde 2015, impulsionou significativamente os investimentos bilaterais e expandiu a cooperação para sectores emergentes como a manufactura de alta tecnologia, o comércio electrónico transfronteiriço e a economia digital.

O professor Park Soong-chan, presidente da Associação Coreia-China, sublinhou que “ambos os países possuem vantagens complementares em áreas como indústrias verdes e biotecnologia, podendo alargar a cooperação de forma mais profunda e orientada para o futuro.”

Hoje, produtos tecnológicos chineses, como aspiradores-robôs e sistemas de entrega autónoma, já fazem parte do quotidiano dos lares e serviços em Seul, evidenciando uma nova fase de colaboração industrial e inovação conjunta.

Jeon Byung-seo, director do Instituto de Investigação Financeira e Económica da China, acrescentou que “esta interação estimula a modernização industrial da Coreia do Sul e reforça a competitividade global de ambos.”

Amizade e Intercâmbio Cultural

Durante a conversa telefónica de Junho, Xi e Lee destacaram a importância dos intercâmbios culturais e interpessoais como base para a compreensão mútua e o fortalecimento do apoio público às relações bilaterais.

Desde a implementação da política chinesa de isenção temporária de vistos para cidadãos sul-coreanos, o turismo entre os dois países registou um aumento expressivo.

De Xangai a Xi’an, cada vez mais turistas coreanos exploram a cultura chinesa e sentem o calor da amizade entre os povos.
Nam Jin, do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul, observou que “a preservação dos sítios históricos ligados à Coreia em cidades chinesas como Xangai, Hangzhou e Nanjing demonstra respeito pela história e reforça o sentimento de amizade.”

Lee Jeung-eun, presidente do Chinese Bridge Club de Seul, acrescentou que “a comunicação entre os povos é o elo mais profundo que sustenta as relações diplomáticas.”

Lee Wook-yeon, reitor da Faculdade de Humanidades da Universidade Sogang, sublinhou a dimensão cultural do relacionamento sino-coreano: “China e Coreia partilham a herança confucionista e a admiração por figuras como Li Bai, o grande poeta da dinastia Tang. Essa ligação espiritual é a força mais duradoura da nossa amizade.”

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