A Polícia Civil do Mato Grosso revelou esta semana os contornos de um homicídio que ganhou dimensão após a investigação desmontar uma suposta briga de bar e expor um enredo de traição, vingança e tentativa de manipulação de provas. A operação Inimigo Íntimo, desencadeada pelas autoridades, levou à prisão do empresário Gabriel Taca, apontado como mandante do crime, e de Danilo Guimarães, acusado de executar as facadas que tiraram a vida de Ivan, amigo próximo do casal.
Segundo a investigação, Gabriel teria descoberto que Ivan mantinha um relacionamento extraconjugal com sua esposa, a médica ginecologista Sabrina Iara de Melo, após assistir às imagens das câmaras de segurança de sua residência. Nas imagens, a médica aparece recebendo Ivan de forma íntima na casa do casal enquanto Gabriel estava em viagem.
A descoberta levou o empresário a montar uma emboscada. De acordo com a polícia, Gabriel convidou Ivan para ir ao bar de sua propriedade, onde simulou uma discussão para justificar o ataque. No meio da falsa briga, Ivan foi esfaqueado pelas costas por Danilo. A primeira versão apresentada pelos envolvidos alegava legítima defesa e desconhecimento prévio entre os suspeitos, mas as provas recolhidas desmontaram completamente essa narrativa.
A Polícia Civil verificou ainda que Gabriel e Danilo já se conheciam e haviam se encontrado antes do crime. Após a agressão, o dono do bar teria levado Ivan ao hospital com atraso e sem accionar bombeiros ou polícia, apesar de alegar o contrário.
A investigação descobriu também que, enquanto Ivan lutava pela vida no hospital, Sabrina teria usado o seu acesso como médica para pegar o telemóvel da vítima e apagar mensagens, fotos e vídeos íntimos que comprovavam a relação. As autoridades afirmam que o dispositivo foi praticamente “resetado”. A médica admite a eliminação de conteúdos, mas nega qualquer envolvimento no homicídio.
Imagens recolhidas no hospital mostram a médica ao lado da cama de Ivan manuseando o telemóvel. O caso despertou atenção porque, segundo a polícia, Sabrina visitou a vítima por vários dias, mesmo após o marido proibir as visitas.
A operação Inimigo Íntimo resultou na prisão de dois envolvidos e no cumprimento de mandados de busca e apreensão relacionados aos crimes de homicídio qualificado e fraude processual. A polícia mantém em aberto pontos essenciais da investigação, incluindo a eventual vantagem recebida pelo executor e o grau real de envolvimento da médica na preparação do crime.
Ivan não resistiu aos ferimentos e morreu dias após o ataque. A Polícia Civil afirma que continua a recolher elementos para esclarecer completamente a dinâmica e as responsabilidades no homicídio.




