No quadro das celebrações do Mês da Mulher Moçambicana, ganha relevo o percurso de Teresinha da Silva, uma das figuras mais marcantes na construção das políticas sociais e na afirmação dos direitos das mulheres no país.
Natural da cidade da Beira, onde nasceu em meados da década de 1940, Teresinha da Silva construiu uma trajectória sólida, combinando formação académica rigorosa com intervenção prática em sectores estratégicos do Estado e da sociedade civil. Licenciada em Serviço Social em Moçambique, aprofundou os seus estudos no exterior, com destaque para o mestrado em Políticas Sociais e Planeamento em Países em Desenvolvimento pela London School of Economics, formação em género na Universidade de Sussex e um programa de especialização na Universidade de Harvard.
Após a independência nacional, integrou o aparelho do Estado, com passagem pelo Ministério da Saúde e Acção Social, onde assumiu funções de direcção. Durante cerca de 12 anos, exerceu o cargo de Directora Provincial nas províncias de Cabo Delgado e Niassa, trabalhando directamente com grupos socialmente vulneráveis, entre os quais crianças órfãs, pessoas com deficiência e idosos.
A sua intervenção estendeu-se igualmente ao meio académico, como investigadora no Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane e dirigente da Unidade de Formação e Investigação em Ciências Sociais (UFICS). Neste âmbito, destacou-se pela formação de quadros nas áreas de género, políticas públicas e justiça, incluindo acções dirigidas ao sistema judicial.
No campo do activismo, Teresinha da Silva assumiu a coordenação nacional da Women and Law in Southern Africa (WLSA), em Moçambique, função que desempenhou durante mais de uma década. A sua acção centrou-se na promoção dos direitos das mulheres, no reforço da igualdade de género e no acesso à justiça.
Paralelamente, participou em debates nacionais e internacionais sobre democracia, cidadania e inclusão social, mantendo uma presença activa em organizações da sociedade civil ligadas aos direitos humanos, incluindo a defesa de grupos historicamente marginalizados.
Um dos domínios em que a sua intervenção ganhou maior reconhecimento foi o da defesa dos direitos das pessoas idosas. Através de investigação, advocacia e participação em fóruns especializados, contribuiu para consolidar o debate sobre envelhecimento digno em Moçambique e na região.
Descrita por vários sectores como uma mulher de princípios firmes, ética e comprometida, Teresinha da Silva atravessou momentos decisivos da história recente do país, ligando-se à construção do Estado pós-independência, à afirmação dos direitos das mulheres e ao desenvolvimento de políticas sociais inclusivas.
No contexto actual, o seu legado mantém-se como referência incontornável no pensamento social moçambicano, simbolizando uma geração que transformou desafios em bases para o progresso colectivo.
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