TA nega visto a Contracto do Algodão sob pressão da opinião pública

O Tribunal Administrativo (TA) da Cidade de Maputo decidiu negar o visto a um contracto controverso entre o Instituto do Algodão (IAM) e uma empresa de tecnologias, que alegadamente beneficiou de informação privilegiada e estava ligada ao Ministro da Agricultura. A decisão do TA responsabiliza o Director-Geral do IAM e o júri do concurso, remetendo o processo ao Ministério Público para prossecução criminal e financeira.

Salomão Moyana, contudo, questiona a motivação do Tribunal, sugerindo que a decisão pode ter sido influenciada pelo forte ruído mediático que antecedeu o julgamento. O jornalista expressou dúvidas sobre se o TA “agiu bem por ver que, a atmosfera política é conducente a que nós neguemos o visto, ou agiram bem por consciência própria”.

Moyana destaca que o judiciário moçambicano já mostrou ser “politicamente conivente” em muitos casos, onde adjudicações “monstruosas” e duvidosas, particularmente nas áreas da saúde e de máquinas, passaram pelo TA sem problemas, pois não foram objecto de polémica pública. Para Moyana, este caso foi inviabilizado no TA porque “foi antecedido de uma denúncia pública e uma polémica em todos os órgãos de comunicação social”.

No que tange à responsabilização, Moyana defende que a punição deve começar pelos executores directos da ilegalidade. Ele insiste que o júri e a direcção do instituto são as figuras mais claras a punir, e que a punição destes levaria à denúncia de quem lhes deu ordens. Moyana sublinha: “a única pessoa que a gente prova que está envolvida é o director-geral do instituto e o júri do concurso, aia daquele concurso, esses estão envolvidos, então são esses que, para mim, devem ser punidos em primeiro lugar”.

O comentador critica a prática de correr imediatamente ao ministro quando um erro é cometido numa instituição tutelada, em vez de punir as hierarquias que lucram com o sector. Ele recorda o exemplo do falecido Dr. Salomão Muceco no Ministério dos Transportes, que resistiu a ordens ilegais e, por isso, evitou a cadeia, ao contrário do seu sucessor.

Salomão Moyana afirma que é crucial punir o técnico que cedeu à orientação ilegal, mas também quem o instigou. Sobre a responsabilidade política do ministro, Moyana observa que, em Moçambique, a demissão depende da avaliação do Presidente e do “peso político que esse ministro tem na comissão política do partido Frelimo”. Ele conclui que o judiciário tem sido célere neste caso, mostrando que “a justiça pode funcionar quando quiser”.

horacertanews

Recent Posts

Ataque de drone em mercado movimentado no Sudão mata pelo menos 28

Mísseis disparados por drones atingiram um mercado na região de Kordofan, no centro do Sudão,…

18 minutos ago

PREVISÃO DO TEMPO: INAM ANUNCIA CALOR E CHUVAS COM TROVOADAS EM TODO O PAÍS

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), através dos Serviços Centrais de Previsão Meteorológica, indica para…

2 horas ago

Poderíamos ter 13 milhões de peças novas, por favor? O surpreendente renascimento de £ 42 milhões do modernismo…

DProjetado pelo arquiteto italiano Arturo Mezzedimi, o Africa Hall de Adis Abeba foi rapidamente reconhecido…

6 horas ago

Funcionários da ONU apoiam Francesca Albanese e condenam ministros europeus por ataques

Beirute, Líbano – Funcionários actuais e antigos das Nações Unidas pronunciaram-se em defesa de Francesca…

7 horas ago

Israel reiniciará o registro de terras na Cisjordânia. O que isso significa

O governo israelense aprovado um plano para iniciar o registo de terras na Cisjordânia ocupada,…

7 horas ago

MAMÃ GUETA CHAPO: Líder com letras…

Sarmento Manjate NUM país ciclicamente marcado por cheias, ciclones e outras manifestações extremas da vulnerabilidade…

8 horas ago