STEWART SUKUMA APELA À RECONCILIAÇÃO

No Dia da Paz e Reconciliação em Moçambique, o consagrado músico Stewart Sukuma partilhou uma mensagem de união, apelando à tolerância, ao diálogo e à reconciliação nacional, destacando o papel essencial da arte como ponte entre os moçambicanos.

Segundo o artista, o contexto sociopolítico actual do país continua “muito tenso”, exigindo maturidade e compreensão mútua. Embora o período pós-eleitoral que resultou na perda de muitas vidas já pertença ao passado, Sukuma insiste que não deve ser esquecido, mas sim encarado como um ponto de partida para a cura colectiva.

“Precisamos ser tolerantes uns com os outros. A paz constrói-se com memória, diálogo e vontade de recomeçar”, disse.

Música como Ferramenta de Paz

Sukuma afirma estar “muito activo nesse processo de paz” e que tem usado a sua arte para promover o diálogo e a escuta mútua. O músico prepara um espectáculo especial, marcado para 17 de Outubro no Coconuts, dedicado à reconciliação entre moçambicanos de diferentes convicções políticas, religiosas e culturais.

“A música é uma ferramenta muito, mas muito potente. Ela junta pessoas que, de outro modo, nunca se falariam”, sublinhou.

Sobre o novo processo de diálogo nacional inclusivo, o artista reconhece que a iniciativa “já vem tarde”, mas defende que “nunca é tarde para falar de paz”. Para ele, o essencial é que o diálogo seja aberto, sincero e honesto, para que o país encontre finalmente “um porto comum”.

Colaborações Internacionais e a Força da Raiz Moçambicana

Stewart Sukuma revelou ainda estar a trabalhar numa nova colaboração internacional com o músico Remna, da Guiné-Bissau, intitulada “Batuca Funk”. A proposta funde estilos musicais da Guiné, Moçambique e de várias partes do mundo, numa celebração da cultura africana moderna.

“Remna tem uma voz fantástica e um estilo muito rico. É diferente do nosso, e é essa diferença que enriquece o resultado final”, contou Sukuma.

Dirigindo-se às novas gerações de músicos, Sukuma deixou um conselho directo: “façam coisas da terra”. Segundo ele, o verdadeiro sucesso internacional nasce da autenticidade cultural.

“O que me abriu portas lá fora foi cantar em línguas moçambicanas – Changana, Chuabo, Macua. Quando cantei ‘Mauta’ em Maconde, no Itaú Cultural, em São Paulo, o público levantou-se. Eles ficaram encantados com a nossa língua e com o nosso som.”

O músico critica a tentativa de imitar modelos estrangeiros, lembrando que “tocar uma marrabenta com verdade é muito mais difícil e fascinante para o público internacional do que copiar o R&B americano.” Essa autenticidade, diz, foi o que o levou a tocar com orquestras sinfónicas em Cascais e na Áustria, demonstrando que a música moçambicana, quando fiel às suas raízes, tem espaço em qualquer palco do mundo.

No Dia da Paz, Stewart Sukuma reafirma o que tem sido a sua missão artística e social: usar a música como instrumento de reconciliação, diálogo e identidade nacional.
Enquanto o país reflete sobre o caminho percorrido e os desafios que persistem, a mensagem do músico ecoa como uma nota de esperança — a de que a harmonia entre os moçambicanos pode começar numa canção.

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