Os atrasos recorrentes no pagamento dos salários dos agentes da Polícia da República de Moçambique continuam a gerar tensão dentro da corporação e desgaste público. A situação, associada aos ajustes da Tabela Salarial Única (TSU), está a prolongar a vulnerabilidade financeira dos efectivos e a deteriorar a sua imagem.
Fontes internas e observadores apelam ao Governo para garantir estabilidade no calendário salarial, evitando mais constrangimentos numa força que já opera sob forte pressão.
Atrasos tornaram-se motivo de piadas
A demora sistemática nos vencimentos está a afectar o moral dos agentes e a transformar o tema em chacota social. Há referências a músicas, batalhas de hip-hop e comentários televisivos que ironizam o atraso como se fosse tradição.
Um observador relata que o salário “sempre chega tarde” e que até oficiais superiores se queixam abertamente. Episódios de agentes que evitam sair de casa até ao fim do mês, devido à falta de meios, reforçam o desgaste vivido.
TSU implementada sem correcção dos problemas
O desajuste começou com a implementação da TSU em 2022. Desde então, as revisões ao sistema não eliminaram falhas no processamento dos vencimentos. Houve declarações oficiais garantindo pagamentos entre os dias 20 e 5 do mês seguinte, mas, na prática, esses prazos não se cumprem.
O contraste com o passado é evidente: professores e agentes eram, até certa altura, os únicos com dinheiro garantido a meio do mês. Hoje, essa segurança desapareceu.
Apelo ao Governo para corrigir o problema
Fontes apelam às entidades responsáveis para que reorganizem o sistema de canalização dos salários, lembrando que atrasos sucessivos deixam a polícia mais vulnerável, tanto socialmente como no desempenho da sua missão principal: manter ordem e segurança.





