O partido Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) declarou publicamente que não reconhece os mais de 130 homens que recentemente se apresentaram às autoridades na localidade de Mepinha, distrito de Morrumbala, província da Zambézia, alegando tratar-se de antigos guerrilheiros daquela formação política.
Segundo informações divulgadas pelo canal PortalFM24 (MIRAMAR), a Renamo considera que estes indivíduos não têm qualquer ligação com a sua antiga estrutura militar e classifica-os como “aproveitadores e oportunistas”, instando o Governo a tomar medidas para travar a situação.
Partido garante que não possui homens armados nas matas
A direcção provincial da Renamo afirmou que o partido não possui actualmente homens armados nas matas, sublinhando que o processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) foi concluído em todo o território nacional.
De acordo com aquela formação política, o papel do partido neste momento limita-se à monitoria e coordenação com as instituições governamentais, particularmente no que diz respeito à atribuição de talhões e à gestão das pensões dos antigos combatentes, através do seu departamento de assuntos sociais.
«Aproveitadores e oportunistas»
Em declarações citadas pelo PortalFM24 (MIRAMAR), um representante da Renamo foi categórico ao rejeitar qualquer vínculo com o grupo que se apresentou às autoridades.
“Se eles hoje vêm a querer-se apadrinhar da Renamo, nós acreditamos que essa responsabilidade é do próprio Governo, porque aqueles não foram nas matas ao chamamento da Renamo.”
Segundo a mesma fonte, todos os antigos guerrilheiros da organização foram devidamente convocados e registados durante o processo de DDR, considerado já encerrado.
“O processo foi único (…) quem não foi alistado, a pergunta é onde é que estava, porque nós tivemos o processo todo coberto.”
O porta-voz acrescentou ainda que os verdadeiros beneficiários do processo já se encontram a receber os respectivos subsídios, no âmbito dos mecanismos estabelecidos entre o Governo e a antiga força guerrilheira.
Partido fala em falsos combatentes
A Renamo sustenta que existem indícios claros de que alguns elementos do grupo apresentado como ex-guerrilheiros são civis sem qualquer historial de participação na luta armada.
Segundo o partido, entre os indivíduos identificados através de imagens captadas em Morrumbala, encontra-se um cidadão que “nunca foi à tropa”, tendo apenas desempenhado funções como chefe de mobilização da Renamo no distrito de Nicadala, antes de se envolver em manifestações e posteriormente desaparecer.
Apelo à intervenção das autoridades
Perante o cenário, a liderança do partido apelou à intervenção directa dos serviços de segurança e inteligência do Estado, defendendo que seja feita uma investigação para identificar quem está por detrás da mobilização do grupo.
“O Governo ao seu alto nível — estamos a falar de serviços de inteligência e de segurança do Estado — devem fazer um trabalho para que sejam encontrados aqueles que estavam a mobilizar aqueles nossos combatentes.”
A Renamo advertiu ainda que o recurso a armas ou catanas não constitui solução para eventuais reclamações relacionadas com atrasos no pagamento de pensões, processo que, apesar de alguns constrangimentos pontuais, considera estar a evoluir positivamente.
Fonte: PortalFM24 (MIRAMAR).






