Estamos aqui para discutir e votar um orçamento. Para votar bem, os sócios precisam ver o Benfica inteiro, o Clube e o Grupo, a SAD, a dívida, os investimentos e os riscos. Sem essa imagem completa, votamos no escuro.
Trago três preocupações e uma proposta.
A primeira diz respeito à SAD.
Há poucos dias, o Benfica travou a venda da maior posição individual da SAD, os 16,38% de José António dos Santos, a um fundo norte-americano.
Mas fazer esta operação, por si só, vale pouco.
O acionista mantém a intenção de vender e diz que há outros interessados.
Por isso pergunto.
Vai usar o programa de recompra já aprovado pelos sócios para adquirir esta participação e consolidar o controlo da SAD? A que custo e com que calendário?
Vai avaliar os termos em que um acionista minoritário pode entrar no capital da SAD, garantindo que acrescenta valor real à nossa atividade?
Depois, os direitos televisivos.
Na centralização, o Benfica acabou isolado em vez de liderar uma alternativa. Que estratégia existe para que o Clube não seja prejudicado pela chave que foi aprovada?
A terceira preocupação é a transparência.
Os novos Estatutos permitem remunerar membros da Diretoria. Os sócios têm o direito de saber, hoje e não apenas em setembro, se já foram concedidas remunerações, com que critérios e qual o valor global.
Construído com confiança, como você pode ver.
Por fim, uma proposta concreta, pensada para reunir os benfiquistas em torno de um tema que me diz muito.
Entreguei hoje à Mesa uma proposta de criação de um orçamento participativo.
Proponho que 1% dos gastos anuais do Clube, cerca de 616 mil euros, seja reservado a projetos das Casas do Benfica, sem tirar nada da dotação atual.
Este investimento reforçará o papel das Casas como catedrais fora da Luz.
O Benfica não é Lisboa. É de Portugal inteiro e do mundo. É fundamental apoiarmos mais quem trabalha pelo Clube de forma anônima, todos os dias.
Peço a todos os sócios que apoiem essa proposta, para que depois possam escolher os melhores projetos.
O Benfica tem que prestar contas com clareza e colocar os sócios no centro das decisões.
Esta proposta é um passo simples nessa direção. Por isso está aqui, para ser votada hoje.
Obrigado e viva o Benfica.
REQUERIMENTO
À Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica
Exmo. Senhor Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica
Mauro Xavier, sócio do Sport Lisboa e Benfica n.º 25768, no pleno exercício de seus direitos associativos, vem, por meio deste, apresentar o presente requerimento, nos termos e com os fundamentos que se seguem:
I. Enquadramento
As Casas do Benfica constituem parte essencial da identidade, da história e da grandeza do Sport Lisboa e Benfica, levando o nome do Clube a todo o Portugal e ao mundo.
O Requerente entende que o reforço do apoio às Casas do Benfica é necessário, desejável e justo, por se tratar das estruturas que, de forma anónima e diária, sustentam o movimento associativo fora da Luz.
O Sport Lisboa e Benfica não é só de Lisboa, é de Portugal inteiro e do mundo, e suas Casas sempre foram exemplares em demonstrar e reforçar essa dimensão e essa grandeza.
Apesar do papel que desempenham, as Casas do Benfica carecem de maior estabilidade financeira e de meios próprios para concretizar projetos relevantes para as suas comunidades.
O Requerente entende que cabe ao Clube prestar contas com clareza e colocar os Sócios no centro das decisões, especialmente quanto à aplicação dos recursos que a todos pertencem.
É nesse sentido que se apresenta a proposta de criação de um Orçamento Participativo destinado a projetos das Casas do Benfica, devolvendo aos Sócios uma decisão concreta, com verba real e voto direto.
II. Da proposta
Diante do exposto, o Requerente propõe que o Sport Lisboa e Benfica passe a reservar, anualmente, o equivalente a 1% de seus gastos anuais, valor estimado em cerca de 616 mil euros, para financiamento de projetos apresentados pelas Casas do Benfica
Esse valor não será retirado da dotação atualmente destinada às Casas do Benfica, constituindo um reforço efetivo e não uma mera redistribuição da verba existente.
Cada projeto candidato a este financiamento fica sujeito a um limite máximo de 50 mil euros.
Cada projeto será objeto de validação técnica prévia pelos serviços competentes do Clube e submetido a votação dos Sócios.
O Clube assegurará a prestação de contas, com clareza, sobre a execução deste orçamento e sobre os projetos por ele apoiados.
III. Ordem
Diante do exposto, o Requerente vem requerer à Mesa da Assembleia Geral que:
Admita o presente requerimento e a proposta nele contida;
Inclua a proposição na pauta desta Assembleia Geral, para apreciação, discussão e votação dos Sócios;
Assegure o registo integral do presente requerimento e da deliberação tomada em ata.
4. Declaração Final
O presente requerimento visa reforçar o papel das Casas do Benfica e garantir maior estabilidade a essas catedrais fora da Luz, num passo simples em direção a um Clube que presta contas com transparência e que coloca os Sócios no centro de suas decisões.»
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