Quando se recusa pagar pessoas reais para promover uma marca, as redes sociais e certos influenciadores internacionais recorrem a estratégias clandestinas, como as chamadas “Phone Farms” — verdadeiras fazendas de smartphones usadas para inflar artificialmente visualizações e engajamento.
O que são as Phone Farms?
São estruturas especializadas que operam dezenas de placas-mãe de celulares simultaneamente, funcionando como uma espécie de rig de mineração, mas voltadas para manipular métricas digitais. Geralmente, usam modelos variados da Samsung (S8, S9, S10, Fold 3) instalados em suportes com ventilação para evitar superaquecimento.
Conectados via LAN ou USB a um computador, esses dispositivos espelham telas e simulam acções como assistir a vídeos, curtidas e comentários. Com softwares como o Panda Mirror Screencasting, um único operador pode sincronizar até 40 celulares para maximizar a operação.
O impacto e os custos
Embora as visualizações geradas sejam “verdadeiras” do ponto de vista técnico, elas não representam pessoas reais assistindo, o que torna a prática enganosa, principalmente para anunciantes que pagam por publicidade sem retorno real.
O custo para montar uma estrutura dessas varia entre US$ 550 a US$ 1.680 por um rig para até 20 celulares, o que, com taxas de importação, pode ultrapassar R$ 7.000. Uma alternativa mais barata é usar celulares usados conectados a hubs USB, mas o investimento ainda gira em torno de R$ 6.000.
Uso legítimo e riscos
Apesar de controversas, essas tecnologias têm aplicação legítima no teste de softwares e aplicativos, permitindo detecção rápida de falhas em múltiplos dispositivos.
Porém, o retorno financeiro dessa prática é incerto. Uma simulação mostra que um rig pode gerar cerca de R$ 316 por dia com 20 aparelhos, cobrindo o custo em aproximadamente 40 dias. Ainda assim, plataformas como YouTube aplicam sistemas rigorosos de detecção e bloqueio dessas fraudes, tornando o negócio arriscado e passível de penalizações.
Essas “fazendas digitais” são o reflexo da busca por atalhos no marketing digital, mas a manipulação massiva mina a credibilidade do mercado e prejudica anunciantes e consumidores.






