Dias era advogado do candidato presidencial Venâncio Mondlane e Guambe era agente eleitoral do Podemos, que, na altura, era o principal partido de apoio a Mondlane.
Foram assassinados quando o seu carro foi emboscado numa área densamente povoada do centro de Maputo, na noite de 19 de Outubro de 2024.
Dias e Guambe apoiavam abertamente Mondlane e, por isso, presumiu-se que os assassinatos tinham motivação política, na sequência das eleições gerais de 2024, que Mondlane e os seus apoiantes argumentaram serem fraudulentas.
Mas Letela sugeriu que os assassinatos podem não ter nada a ver com as eleições. Ele lançou duas teorias alternativas que, tanto quanto a AIM sabe, nunca tinham sido mencionadas publicamente antes.
Uma tentou ligar os assassinatos aos supostos ataques sofridos por Elvino Dias durante o congresso realizado pelo antigo movimento rebelde Renamo no município central de Alto Molocue, em Maio de 2024. As disputas no Congresso levaram Venâncio Mondlane a demitir-se da Renamo, concorrendo como candidato presidencial independente e, eventualmente, criando o seu próprio partido.
A segunda alternativa envolve uma suposta falsificação cometida por Edite Chilindo, supostamente amante de Nini Satar na época.
Satar estava cumprindo pena por ter ordenado o assassinato do jornalista investigativo Carlos Cardoso em 2000. Satar também era regularmente acusado de organizar sequestros em sua cela de prisão.
Cylindo estava a cumprir uma pena de 22 anos de prisão pela sua participação no assassinato, em 2016, na Matola, do proeminente procurador Marcelino Vilanculos. Dias era supostamente o advogado de Cylindro, que foi acusado de falsificar a sua própria certidão de óbito.
As principais figuras mencionadas por Letela não estão disponíveis para interrogatório – Satar porque morreu na sua cela de prisão no ano passado, a 28 de março de 2025, aparentemente de causas naturais, enquanto Letela descreveu Cylindo como “um fugitivo”.
Letela afirmou que Cylindo simulou a própria morte. Uma certidão de óbito sul-africana foi falsificada, afirmou – mas não explicou como ela saiu da prisão moçambicana.
Elvino Dias foi acusado da falsificação e o caso deveria ter chegado a tribunal no dia 20 de Outubro de 2024, altura em que Dias já estava morto.
Letela não apresentou nenhuma evidência para apoiar esta estranha história. Esteve completamente ausente do seu relatório escrito, entregue na quarta-feira, e só foi mencionado quando respondeu a perguntas dos parlamentares na quinta-feira.
Venâncio Mondlane, na sua página no Facebook, denunciou a história de Letela como falsa, mas apenas citou como prova a “insegurança verbal” de Letela, a sua linguagem corporal e a sua gaguez.
Letela afirmou que três pessoas foram interrogadas em conexão com os assassinatos de Dias e Guambe, e duas delas estão actualmente detidas na Penitenciária Preventiva de Maputo. Ele não nomeou nenhum desses suspeitos.
(MIRAR)
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