Mais cinco laranjeiras no jardim de Ronald Koeman (crónica)

Mais cinco laranjeiras no jardim de Ronald Koeman (crónica)


De Baixos só de nome. Porque o resultado e a exibição foram de uma equipe situada em um nível futebolístico superior. Diante de uma Suécia que havia goleado a Tunísia na rodada anterior e se apresentava com uma linha de cinco elementos na linha defensiva, Ronald Koeman só fez uma mudança em comparação ao jogo anterior com o Japão (2 a 2): tirou Summerville e colocou Brobbey. Objetivo: precisava de um touro na frente para concluir jogadas feitas em largura, modeladas nos melhores cadernos dos grandes mestres que cunharam a expressão Laranja Mecânica.

Não poderia ter sido solução mais feliz: aos 5′, o atacante do Sunderland aparecia na pequena área para encostar, depois de ter recebido a bola de seu goleiro, tocado para trás, correr mais que os poderosos zagueiros suecos e aparecer no lugar certo para concluir o cruzamento de Gakpo.

Mais tarde percebeu-se que nada disso fora um acaso. Porque muitos desenhos semelhantes, com mais ou menos nuances, estavam sendo desenhados em Houston. Assim como o do 2 a 0, aos 17′. O autor foi o mesmo, só mudou o corredor de onde veio a bola, mas não o princípio por trás: variação rápida de flanco diante de áreas povoadas de adversários, verticalidade e, não menos importante, muita velocidade de execução.

Atordoados, os jogadores da Suécia demoraram a se encontrar. Gyokeres deu os primeiros sinais, primeiro com seus esticões habituais, depois de uma forma mais consistente, em jogadas mais apoiadas com a participação de Ayari e Isak. Mas Verbruggen sempre foi um goleiro seguro e atento aos chutes do atacante do Arsenal e companhia.
Foi essa reação que deu esperança aos nórdicos no intervalo, mas ainda Graham Potter caminhava no gramado rumo ao banco, vindo dos vestiários, e Summerville já se preparava para entrar. O jogador que marcara golaço contra o Japão e ficara fora da escalação, entrava no início do segundo tempo, saindo Malen.
Foi uma facada terrível nas aspirações suecas. Porque nem dois minutos se passaram para novo gol cedo: Summerville tirou dois da frente, deu início a uma jogada que seria concluída por Gakpo na pequena área, recebendo cruzamento rasteiro da direita (onde já se viu isso?). Mas os Países Baixos também sabem jogar em transições, prova disso foi o bis de Gakpo, fechando jogada que começou com perda de bola do colega Isak (no Liverpool) na área contrária.

Já com Gyokeres apagado, Elanga entrou e trouxe energia, marcando o 1-4 em jogada de contra-ataque, mas os neerlandeses fecharam as comportas do dique e passaram ao modo de controlo. Não sem antes Summerville aproveitar o espaço que os suecos deixaram no meio-campo defensivo, progredir e rematar colocado, fora da área, para o 5-1 que deixa a formação de Ronald Koeman muito bem colocada para seguir em frente. Não é favorita, mas esta Laranja tem muito sumo para dar.


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