Ladrões ousados roubam txopela dentro de posto policial na Beira

Ladrões ousados roubam txopela dentro de posto policial na Beira

Um caso que expõe fragilidades sérias na segurança pública está a causar indignação na cidade da Beira. Ladrões invadiram o Posto Policial da Chota e roubaram uma txopela estacionada no interior do recinto da própria esquadra, local onde o proprietário acreditava estar protegido.

O veículo pertencia a um cidadão que havia sido pai de gémeos há poucas semanas e constituía o único meio de sustento da sua família. A informação foi avançada pelo programa “Casos do Dia”, da TV Sucesso.

Roubo consumado dentro da esquadra

O crime ocorreu num Domingo, por volta das 17 horas, quando o proprietário estacionou a txopela no parque do posto policial, prática comum entre os operadores da zona. Pelo serviço de parqueamento, o cidadão pagava diariamente 50 meticais, acreditando estar a garantir segurança ao seu meio de trabalho.

Na manhã seguinte, ao regressar para iniciar a actividade, encontrou o espaço vazio.

“No dia seguinte, quando voltei para levar a minha mota e ir trabalhar, cheguei ao parque e já não encontrei”, contou a vítima à TV Sucesso.

O proprietário sublinhou que o local onde deixou o triciclo era perfeitamente visível:
“Foi num sítio visível. Deixei a txopela praticamente à vista deles. Isso mostra que houve falha no sistema de vigilância por parte das autoridades policiais”, afirmou.

Família sem sustento após o roubo

O impacto do crime é devastador. O cidadão explicou que a txopela, adquirida há cerca de oito meses, era a base económica da sua família.

“Acabei de ter dois gémeos no dia 8 de Dezembro. Estou sem como, porque essa txopela era o meu sustento. Lá em casa estamos eu, a minha esposa, um filho, a minha sogra. Agora estou sem como”, desabafou.

Medo e revolta entre operadores

O roubo dentro de uma esquadra gerou receio generalizado entre outros operadores de txopelas que também utilizam o recinto policial para estacionar os seus veículos.

Um dos transportadores manifestou a sua indignação à TV Sucesso:
“É muito preocupante. Quando estacionamos na esquadra, temos a garantia da esquadra. Agora um txopela é roubado dentro da esquadra e ninguém diz nada. Já estamos com medo.”

O operador questionou ainda a lógica do pagamento da taxa diária:
“Quando pagamos, é com que garantia? É garantia de segurança e responsabilização em caso de roubo, claro.”

Silêncio e falta de respostas da PRM

Até ao momento da reportagem, a Polícia da República de Moçambique (PRM) no Posto da Chota não apresentou esclarecimentos nem resultados concretos. A vítima afirma que não recebeu qualquer resposta satisfatória.

“O chefe do posto não disse nada que me agradasse. Do dia 28 até hoje, dia 2, ainda não há qualquer informação sobre o ponto de situação”, afirmou.

O repórter Valente Zefanias, da TV Sucesso, tentou ouvir a versão oficial, mas foi informado de que a chefe do posto não se encontrava no local, ficando prometido um pronunciamento apenas para a segunda-feira seguinte.

Enquanto isso, uma família com recém-nascidos permanece sem o seu principal meio de subsistência e a comunidade questiona a credibilidade de um sistema que falhou no local onde, teoricamente, a segurança deveria ser absoluta.


Nota editorial

Quando um bem é roubado dentro de uma esquadra, o problema deixa de ser apenas criminal e passa a ser institucional. Um posto policial não pode transformar-se num espaço de risco para quem procura proteção. Caso contrário, a confiança pública desaparece — e sem confiança, nenhuma autoridade se sustenta.

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