JORNALISTAS DESVIARAM MAIS DE 5 MILHÕES DE MT DE VÍTIMAS VULNERÁVEIS NA BAHIA

A justiça na Bahia enfrenta lentidão em um dos maiores escândalos de apropriação de doações no estado, conhecido como “Golpe do Pix”, onde jornalistas e seus associados são acusados de desviar mais de 75% dos valores arrecadados para famílias em situação de vulnerabilidade.

O caso envolve o repórter Marcelo Castro, o editor-chefe Jamerson Biriba e o operador Lucas Costa Santos, que, junto a nove “laranjas”, formaram uma “organização criminosa”.

O Esquema Criminiso e a Arrecadação Milionária

Durante um ano e cinco meses, a quadrilha enganou 12 famílias vulneráveis, prometendo arrecadar doações em dinheiro por meio de um quadro do programa Balanço Geral Bahia. As investigações apontam que o grupo arrecadou mais de MZN 7.330.500 e desviou cerca de MZN 5.494.500.

A estratégia era sempre a mesma: explorar pessoas com “dramas familiares ou de saúde” e dificuldades financeiras, que dificilmente investigariam a quantia real recebida. Uma chave Pix era exibida na tela durante a reportagem, mas ela pertencia a um dos integrantes do grupo, e não aos beneficiários. O dinheiro ia directo para essa conta e era distribuído entre os envolvidos por meio de pagamentos de boletos, cartões de crédito e depósitos.

Segundo a polícia, Marcelo Castro fazia as reportagens, Jamerson Biriba autorizava a inserção do Pix de terceiros na tela, e Lucas cooptava tanto as famílias quanto os laranjas que emprestavam as contas. Quando o caso ganhou repercussão, o repórter estava de “férias luxuosas” nos Estados Unidos e em Dubai.

Vítimas Usadas e Humilhadas

Os jornalistas não apenas desviavam os recursos, mas também manipulavam as vítimas para aumentar a audiência e o volume das doações.

Jucileide, mãe de Miguel, que sofria de leucodistrofia e precisava de uma cadeira de rodas adaptada, foi uma das vítimas. Apesar de MZN 607.500 terem sido arrecadados em nome de seu filho, ela recebeu apenas MZN 135.000. Jucileide lamentou a exposição e a traição: “Eu fui vítima de distorção, eu fui vítima de roubo, eu me senti violada, eu me senti usada, não somente eu, mas principalmente meu filho”. A mãe relatou que Miguel, de 17 anos, morreu há seis meses e que contava com o dinheiro da arrecadação para custear o tratamento que nunca chegou no valor total.

Outra vítima, Lucileide, mãe de Augusto, que sofre de hidrocefalia e má formação da coluna vertebral, buscava um triciclo motorizado. De MZN 405.000 arrecadados, somente MZN 81.000 foram repassados à família. Lucileide foi forçada pelo repórter a expor o sofrimento do filho: o jornalista mandou “deixar ele se arrastar que aí vai ter mais e como reflexão audiência” e ordenou que ela chorasse de forma forçada.

A vítima Larissa também foi impedida de divulgar sua chave Pix ao vivo. Marcelo Castro disse a ela: “Não que a gente vai botar de uma pessoa de confiança de lá de dentro”. As doações para ela ultrapassaram MZN 229.500, mas Larissa só recebeu MZN 40.500, conforme comprovante enviado pelo próprio jornalista.

Audiências Adiadas por Falta de Espaço

Diante da fraude, a Record Bahia demitiu Marcelo Castro e Jamerson Biriba por justa causa e os processou. O Ministério Público da Bahia ofereceu denúncia contra os três principais envolvidos e os nove laranjas. Eles responderão por crimes como apropriação indébita, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

No entanto, o julgamento e as audiências têm sido marcadas pela demora. As audiências já foram adiadas duas vezes e, recentemente, o juiz responsável pelo caso justificou o novo adiamento por falta de espaço no Tribunal de Justiça de Salvador. A sala de audiências da Vara de Organizações Criminais não comporta as aproximadamente 40 pessoas envolvidas, incluindo réus e testemunhas.

As audiências foram remarcadas para Maio do ano que vem. Esse adiamento, segundo a reportagem, representa “mais 7 meses de angústia e espera por respostas” para as vítimas. Embora processos que envolvam o interesse de crianças devam ter prioridade de tramitação, o processo está há mais de um ano sem uma audiência realizada.

Para Jucileide, a luta continua: “Eu quero justiça por ele, porque essas pessoas que usaram ele para se beneficiar, essas pessoas têm que pagar pelo que fez, porque isso não se faz com ninguém, muito menos com a criança”. O jornalismo da Record reafirmou seu compromisso de defender o povo e prometeu jamais permitir que seu público seja enganado.

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