As autoridades de Moçambique e Portugal confirmaram oficialmente que a morte de Pedro Ferraz Reis, administrador financeiro do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), ocorrida a 19 de janeiro, no Hotel Polana Serena, em Maputo, resultou de suicídio, afastando de forma definitiva a hipótese de intervenção de terceiros.
A conclusão foi apresentada numa conferência de imprensa conjunta entre o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e a Polícia Judiciária (PJ) de Portugal, que classificaram a investigação como tecnicamente sólida e conduzida com elevado rigor científico.
Segundo o Diretor-Geral do SERNIC, os exames periciais e laboratoriais realizados permitiram consolidar a tese de morte autoinfligida. As análises forenses, incluindo exames laboratoriais, perícia médico-legal e avaliação do local, não identificaram qualquer sinal de luta, presença de terceiros ou indícios compatíveis com homicídio.
As autoridades esclareceram ainda que o local onde ocorreu o incidente encontrava-se trancado por dentro, o que reforça a inexistência de interferência externa no momento dos factos.
A Polícia Judiciária portuguesa destacou a transparência, abertura e profissionalismo do SERNIC durante todo o processo investigativo. Uma equipa técnica e médico-legal portuguesa esteve em Maputo para acompanhar os trabalhos, tendo confirmado os resultados já apurados pelas autoridades moçambicanas.
O porta-voz da PJ sublinhou que se tratou de um episódio “invulgar pela sua natureza”, mas que os dados técnicos recolhidos sustentam de forma clara a conclusão apresentada.
Relativamente a informações divulgadas por alguns órgãos de comunicação social sobre alegadas ameaças prévias contra Pedro Ferraz Reis, as autoridades foram categóricas: não existe qualquer prova, registo oficial ou evidência digital que sustente essa versão.
A análise de dispositivos electrónicos, bem como os depoimentos de familiares, colegas e pessoas próximas, não revelaram indícios de intimidação, coação ou risco externo.
O SERNIC informou que irá avançar com uma autópsia psicológica, procedimento padrão em casos desta natureza, com o objectivo de compreender o contexto emocional e pessoal que poderá ter estado na origem do desfecho, ouvindo o círculo próximo da vítima.
As autoridades apelaram à responsabilidade na divulgação de informações, sublinhando a necessidade de respeito pela memória da vítima e pela dor da família.
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