EXPLICADOR
O Irão, Israel e o Golfo enfrentaram novos mísseis e drones. Os EUA sinalizaram escalada militar e abertura a um acordo.
Publicado em 25 de março de 2026
A guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão continuamesmo que aumentem os esforços para alcançar uma solução diplomática e haja reivindicações contraditórias sobre possíveis negociações.
Ataques e ataques com mísseis foram relatados no Irão, em Israel e em todo o Golfo. Ao mesmo tempo, os EUA sinalizaram tanto uma escalada militar como uma abertura a um acordo. O conflito continua a agitar os mercados energéticos globais, especialmente devido às perturbações no Estreito de Ormuz.
Aqui está o que sabemos:
No Irã
- Conflitos e greves em curso: Os ataques dos EUA e de Israel ao Irão continuam. Um ataque recente no sul de Teerão matou pelo menos 12 pessoas e feriu 28, enquanto explosões adicionais no leste de Teerão destruíram uma escola e vários edifícios residenciais.
- Relatórios conflitantes sobre negociações: Trunfo diz negociações com o Irão estão em vias de pôr fim à guerra, alegando que Teerão concordou em nunca procurar armas nucleares e insinuando um “presente” relacionado com o petróleo, o gás e o Estreito de Ormuz.
- Não é uma nova concessão: O Irão há muito que afirma que não procura armas nucleares. Insistiu repetidamente que não tem planos para um programa de armas nucleares. O antigo líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, emitiu em 2003 uma fatwa contra as armas nucleares.
- Plano de paz proposto de 15 pontos: Vários relatos da mídia dizem que Washington entregou um plano de 15 pontos ao Irã para acabar com o conflito, supostamente facilitado pelo chefe do exército do Paquistão, Syed Asim Munir.
- Confusão doméstica: Mohammed Vall, da Al Jazeera, relata “confusão total” entre os iranianos sobre as reivindicações diplomáticas dos EUA, já que a realidade no terreno continua centrada nos bombardeamentos, lançamentos de mísseis e defesa.
- A guerra do Irão visa: O analista Negar Mortazavi disse que Teerão quer acabar com a guerra nos seus “próprios termos” e estabelecer dissuasão suficiente para garantir que o conflito não recomeça quando terminar.
- Trânsito de Ormuz: O Irã afirma que “navios não hostis” podem transitar pelo Estreito de Ormuz, de acordo com um comunicado à Organização Marítima Internacional.
Diplomacia de Guerra
- As negociações em Islamabad oferecem: Primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif disse Islamabad está preparado para acolher negociações para pôr fim à guerra EUA-Israel com o Irão.
- China e França pedem negociações: O principal diplomata da China, Wang Yi, disse ao Irão que “falar é sempre melhor do que lutar”, enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, apelou a Teerão para se envolver em negociações de boa fé para acabar com a guerra.
No Golfo
- Arábia Saudita intercepta mísseis: O Ministério da Defesa saudita relatou vários ataques contra a Província Oriental, que abriga muitas das maiores e mais importantes instalações petrolíferas do país, incluindo Ras Tanura, Ghawar e Abqaiq. As forças sauditas abateram pelo menos 32 drones e um míssil balístico na região leste nas últimas 11 horas.
- Vítimas no Bahrein: Os ataques também resultaram em vítimas no Bahrein. Os Emirados Árabes Unidos (EAU) relataram que um ataque iraniano no Bahrein matou um civil marroquino que trabalhava ao lado das forças armadas dos Emirados Árabes Unidos.
Nos EUA
- Trump diz que o Irã deu ‘presente’ aos EUA: Trump disse estar optimista sobre um acordo negociado com o Irão depois de a sua liderança sobrevivente lhe ter dado um “presente muito grande” relacionado com o Estreito de Ormuz, “no valor de uma enorme quantia de dinheiro”.
- EUA implantarão 82ª Aerotransportada: Os EUA planeiam enviar cerca de 3.000 soldados da sua elite 82ª Divisão Aerotransportada para o Médio Oriente para apoiar operações contra o Irão, informou a imprensa norte-americana.
- Sanções e pressão do óleo: Os EUA aliviaram algumas sanções ao petróleo iraniano devido às pressões da procura global causadas pela guerra, mas o economista Steve Hanke alertou que a medida poderia minar o regime de sanções globais.
Em Israel
- Mísseis têm como alvo Israel: Os militares de Israel alertaram na terça-feira que o Irã havia disparado mísseis contra o país e que as defesas antimísseis estavam ativas, após um dia de mais de uma dúzia de alertas de mísseis.
- ‘Zona de segurança’: Israel disse que os seus militares assumirão o controlo de uma área a 30 km (19 milhas) do Líbano como uma “zona de segurança”, enquanto pressiona a sua luta contra o Hezbollah apoiado pelo Irão.
- Trajetórias diplomáticas divergentes: O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, disse que Israel não faz parte das negociações EUA-Irã e que as operações militares continuarão até que as capacidades nucleares e de mísseis do Irã sejam eliminadas.
No Líbano e no Iraque
- Vítimas no Líbano: O Ministério libanês da Saúde Pública e da Unidade de Gestão de Risco de Desastres informa que pelo menos 1.072 pessoas foram mortas e 2.966 feridas desde que a ofensiva se intensificou em 2 de março, com 33 mortes só nas últimas 24 horas.
- Ameaça de invasão terrestre: Autoridades libanesas alertam que Israel pode lançar uma invasão terrestre ao sul do rio Litani, enquanto Israel ordenou evacuações em massa nos subúrbios ao sul de Beirute, à medida que intensifica os ataques contra alvos do Hezbollah.
- Retaliação do Hezbollah: O Hezbollah diz que está a atacar soldados israelitas e infra-estruturas no sul do Líbano e nas Colinas de Golã ocupadas com foguetes, artilharia e drones em resposta à ofensiva de Israel.
- Reação internacional: O Canadá condenou os planos de Israel de ocupar território no sul do Líbano, dizendo que a soberania libanesa deve ser respeitada, ao mesmo tempo que apelou ao Hezbollah para parar os ataques e se desarmar.
- O equilíbrio da guerra no Iraque: O país está a lutar para equilibrar a sua dependência tanto dos EUA como do Irão. Após um suposto ataque dos EUA a uma base paramilitar em Anbar, que matou 15 pessoas, o governo iraquiano concedeu aos grupos paramilitares apoiados pelo Irão o direito de responder aos ataques dos EUA.
- Ataques aos interesses dos EUA: A Resistência Islâmica no Iraque afirma ter lançado 23 operações contra “bases inimigas” nas últimas 24 horas.
- Iraque convoca diplomatas dos EUA e do Irã:O Iraque disse que convocaria o encarregado de negócios dos EUA e o embaixador iraniano após ataques mortais atribuídos aos seus países.
Mercados de petróleo, energia e Ormuz
- Perturbações do mercado global: A instabilidade regional no Golfo está a causar efeitos em cascata significativos nos mercados globais. Segundo o economista norte-americano Steve Hanke, o conflito restringiu o livre fluxo de bens essenciais do Golfo, como o hélio e os fertilizantes.
- Política energética e dependência de combustíveis fósseis: Ketan Joshi, um analista independente de energia, sugere que as actuais sugestões para que as pessoas racionem o combustível ou trabalhem a partir de casa são “apenas o começo” e poderão tornar-se regras aplicadas porque os governos precisam urgentemente de reduzir a sua dependência a curto prazo das complexas cadeias globais de abastecimento de combustíveis fósseis.
- Sri Lanka apaga as luzes: O Sri Lanka ordenou que as luzes das ruas, os letreiros de néon e a iluminação dos outdoors fossem desligados como parte das medidas para reduzir o consumo de energia em 25% e combater a escassez de abastecimento.
- Filipinas declara emergência energética: Presidente Fernando Marcos Jr. declarou uma emergência energética nacionalà medida que o aumento dos preços dos combustíveis desencadeou ameaças de greve e o governo tomou medidas para garantir o abastecimento de combustível e de bens essenciais.




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