Katembe abalada por roubo com suspeita de colaboração interna
Um estaleiro localizado na Katembe foi palco de um crime de furto que está a gerar indignação e debate público, depois de câmaras de videovigilância terem registado o roubo de 80 mil meticais, alegadamente com colaboração interna. O caso foi revelado numa reportagem da TV Miramar, que teve acesso às imagens captadas pelo sistema de segurança da empresa.
As gravações mostram uma sequência de comportamentos considerados suspeitos, envolvendo a tesoureira do estaleiro e um jovem trabalhador, que viria a concretizar o furto poucos minutos depois.
Imagens revelam negligência grave no controlo de valores
De acordo com o proprietário do estaleiro, identificado apenas como Cai, as imagens são claras quanto à falha de procedimentos básicos de segurança. A tesoureira, responsável direta pela guarda do dinheiro, abandonou o posto de trabalho sem trancar a gaveta onde se encontrava o montante.
“Aqui a nossa tesoureira, a nossa caixa, que abandonou o seu local de trabalho sem ter trancado a gaveta. A gaveta tem código, tem tranca, mas ela não trancou. Apenas encostou e saiu sem fechar as portas”, explicou Cai, em declarações à Miramar, ao comentar as imagens de vigilância.
As imagens mostram ainda a funcionária em constante contacto telefónico antes e durante a sua saída, o que levanta suspeitas de possível facilitismo.
Funcionário entra e sai com 80 Mil Meticais no bolso
Momentos após a saída da tesoureira, o jovem trabalhador dirige-se diretamente ao local onde se encontrava o dinheiro. Sem hesitação, abre o armário, retira os 80.000 meticais e abandona o estaleiro a correr.
“Um trabalhador é flagrado a roubar no seu próprio estaleiro. Ele entrou por esta porta e saiu por esta mesma porta com 80 mil meticais nos bolsos”, relata a reportagem exibida pela TV Miramar.
Desde então, o suspeito encontra-se em parte incerta.
Telemóvel da namorada também terá sido roubado
O caso ganhou contornos ainda mais delicados quando o proprietário tentou localizar o suspeito na sua residência. No local, encontrou a namorada do jovem em estado de choque, alegando também ter sido vítima.
“Quando chego à casa dele encontro a namorada aos choros. Ela perdeu o telefone e soube que o namorado tinha roubado”, contou o empresário.
Segundo o relato, o telemóvel poderá ter sido subtraído para evitar rastreamento ou para facilitar a comunicação durante a fuga.
Empresário critica lentidão da polícia
Apesar da existência de provas consideradas robustas, incluindo vídeos, fotografias e o número de telefone do suspeito ainda activo, o proprietário do estaleiro manifestou frustração com a resposta inicial das autoridades.
“A polícia disse que ia mandar alguém no Domingo, mas não mandou. Voltámos à esquadra no fim do dia. O número chamava, havia fotos, havia tudo, mas não tivemos ajuda”, lamentou Cai.
Somente na segunda-feira é que o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) iniciou diligências no local, com vista à localização e neutralização do suspeito.
Quando a chave está dentro, o cadeado não serve
O caso reacende o debate sobre segurança interna nas empresas e a importância da confiança associada a mecanismos de controlo rigorosos. Sistemas de videovigilância funcionam como escudos, mas tornam-se inúteis quando quem detém o acesso ignora os protocolos básicos.
Na Katembe, ficou a lição dura: o crime não forçou portas, não arrombou gavetas. Entrou porque a porta ficou apenas encostada.





