A universitária Natália Macheve, de 18 anos, foi assassinada em Marracuene, província de Maputo, alegadamente pelo namorado de 21 anos. O caso chocou a comunidade académica e reacendeu o debate sobre feminicídio em Moçambique.
Segundo a Polícia da República de Moçambique (PRM), Natália foi encontrada com sinais vitais fracos e vestígios de violência sexual no bairro de Zintava. O suspeito confessou ter agredido fisicamente a jovem e abandonado-a inconsciente na via pública.
A estudante ainda foi socorrida no centro de saúde local, mas, devido à gravidade, transferida para o Hospital Central de Maputo, onde acabou por perder a vida.
As autoridades apreenderam o telemóvel do agressor, que revelou um histórico de discussões no relacionamento. No local do crime foram encontrados preservativos usados e sinais de luta.
O pai de Natália mostrou à imprensa o possível trajecto percorrido pelo casal, apontando os locais onde encontrou chinelos e marcas de rastejamento.
A mãe descreveu a filha como “muito dedicada e esforçada”, com o sonho de ser agrónoma para ajudar a família.
Na universidade, colegas relataram choque e tristeza:
“Tinha um sorriso contagiante, alegrava sempre a turma. A ausência dela vai deixar um vazio enorme.”
A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) repudiou o feminicídio, apelando à vigilância contra actos desta natureza. A instituição comprometeu-se ainda a desenvolver um estudo científico sobre feminicídio em Moçambique, com o objectivo de apoiar as autoridades na prevenção e combate ao fenómeno.
Organizações da sociedade civil alertam que a impunidade incentiva novos crimes. Dados revelam que uma mulher morre a cada dois dias vítima de feminicídio no país.
O Observatório das Mulheres defende uma comunicação mais clara dos tribunais sobre a responsabilização dos agressores, como forma de desencorajar futuros crimes.
A sociedade exige justiça exemplar, responsabilização dos culpados e medidas urgentes para travar a escalada da violência contra mulheres em Moçambique.
O processo do caso Natália Macheve segue agora nas autoridades judiciais.
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