MAPUTO, 22 de Novembro de 2025 – Uma família moçambicana foi vítima de uma burla no valor de 126.000 meticais enquanto tentava repatriar o corpo de um jovem falecido na África do Sul. A mãe, Sonha José, afirma que há quase dois meses luta sem sucesso para trazer o corpo do filho para Moçambique, num processo marcado por desespero, suspeitas e perda financeira.
A família pretende realizar uma autópsia independente no país, por desconfiar da versão da polícia sul-africana que aponta a morte como suicídio. Para Sonha José, há contradições suficientes para levantar dúvidas. “Estou triste há quase dois meses. Não consigo trazer o corpo do meu filho para Moçambique”, lamentou. “O corpo está na morga e eu não sei qual será o fim dele.”
A mãe afirmou ter procurado esclarecimentos na polícia sul-africana, onde foi informada de que o jovem teria sido encontrado sem vida num caso de alegado suicídio. No entanto, a família recusa aceitar essa versão.
“Disseram que removeram o corpo de um moço que se suicidou no local X. Eu não acredito, eu não acredito”, insistiu.
Diante das dificuldades de lidar com o processo oficial, Sonha José recorreu a intermediários que alegavam poder acelerar a documentação necessária para o repatriamento. Entre eles estava um indivíduo que vivia com o seu filho na África do Sul.
Após transferir várias quantias, incluindo 35.000 meticais, a família percebeu que os supostos facilitadores desapareceram sem iniciar qualquer procedimento.
“Ele dizia que estava a tratar papéis. Tudo o que ele pedia nós dávamos. E no fim o dinheiro foi-se”, relatou a vítima.
Para completar o processo de repatriamento, a família precisa de valores acima de 6.000 rands, mas dispõe de apenas 5.000 meticais, o que impossibilita dar continuidade ao processo.
“Não sabemos o que fazer. Precisamos de ajuda”, apelou a família, que agora enfrenta não só a dor da perda como também os entraves burocráticos e o prejuízo financeiro.
Este caso junta-se a vários relatos de moçambicanos que, ao tentar repatriar corpos de familiares falecidos na África do Sul, acabam expostos a fraudes, intermediários sem escrúpulos e processos complexos que agravam ainda mais a sua vulnerabilidade emocional e económica.
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