Em entrevista ao STV Notícias do Grupo SOICO, o economista e analista político Rogério Uthui criticou o modelo de assistência financeira internacional adotado em Moçambique. Segundo o especialista, a dependência das políticas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial tem provocado consequências sociais e económicas graves no país.
Uthui afirma que, embora estas instituições acertem frequentemente no diagnóstico macroeconómico, a aplicação sistemática da mesma “cartilha” de soluções em economias pouco diversificadas tende a gerar recessão económica e descontentamento social.
Aplicação das políticas do FMI gera recessão e protestos
Durante a conversa com o STV Notícias, Uthui explicou que países com economia baseada na exportação de matérias-primas e sem base industrial sólida sofrem de forma imediata com as medidas impostas pelo FMI.
“Estas medidas imediatamente geram uma recessão económica”, disse Uthui, acrescentando que a retração provoca protestos populares devido à falta de bens básicos e crescimento económico insuficiente.
O analista critica a falta de alternativas internas e de planeamento governamental, alertando que a dependência externa impede o desenvolvimento sustentável.
Desigualdades salariais e ineficiência institucional em Moçambique
Outro ponto destacado por Rogério Uthui, durante a entrevista ao STV Notícias, é o aumento das desigualdades salariais e a criação de “elites económicas internas” predominantemente políticas.
Ele classificou como “absurdo” o fosso salarial no setor público, citando presidentes de Conselhos de Administração (PCA) com vencimentos mensais entre 50 mil e 100 mil, equivalentes a 160 a 200 vezes o salário mínimo nacional.
Além disso, criticou a redundância institucional, mencionando que o setor das águas atualmente conta com sete instituições para funções que, no período colonial, eram asseguradas por apenas uma. Para Uthui, cortes de salários de gestores públicos e ministros poderiam aumentar a eficiência e liberar recursos.
Nacionalismo Económico: A solução proposta por Uthui
Como alternativa à dependência externa, o especialista propõe a adoção de um “nacionalismo económico”, permitindo ao país desenvolver soluções internas.
“Nós não precisamos do FMI nos dizer que estamos a receber absurdamente demasiado com dinheiro do Estado”, afirmou Uthui ao STV Notícias, reforçando a necessidade de separar a riqueza da produção privada do uso indevido dos fundos públicos.
O analista conclui que a prioridade deve ser a construção de uma economia que beneficie a população, rompendo com o ciclo de dependência que fragiliza instituições e tecido social em Moçambique.
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