Em meio a adversidades como tarifas e crises globais, a China demonstrou grande resiliência nos últimos anos, injetando uma estabilidade inestimável nas cadeias de suprimentos globais, afirma um especialista alemão.
Por: Agostinho Julião
Fonte: Xinhua
O compromisso da China com o multilateralismo, o livre comércio e a inclusão oferece uma estabilidade estratégica crucial a um mundo marcado pela volatilidade do mercado e pelo crescente protecionismo, afirmou o diretor de uma consultoria alemã.
Esse compromisso também é crucial para restaurar a confiança dos investidores e garantir um ambiente estável e previsível para investimentos, disse Denis Depoux, diretor-gerente global da Roland Berger, com sede em Munique, em entrevista por escrito à Xinhua antes da Conferência Anual do Fórum Boao para a Ásia, que acontece de terça a sexta-feira na província de Hainan, no sul da China.
Apesar de enfrentar desafios como tarifas e crises globais, a China demonstrou grande resiliência nos últimos anos, injetando uma estabilidade inestimável nas cadeias de suprimentos globais, afirmou ele.
“Em meio à crise em curso no Oriente Médio, que interrompeu significativamente o fornecimento global de energia, acreditamos que a China continuará demonstrando essa resiliência por meio de sua transição de longo prazo para energias renováveis”, disse Depoux.
Ao falar sobre o compromisso da China com o desenvolvimento verde, Depoux enfatizou que ele não se limita ao setor de energia, mas está influenciando e fortalecendo uma ampla gama de outras indústrias.
Ele mencionou o relatório de trabalho do governo nas “duas sessões” deste ano do principal órgão legislativo e do principal órgão consultivo político da China, que enfatizou a construção de clusters de computação inteligentes em hiperescala e a melhoria da coordenação entre o poder computacional e os sistemas de eletricidade.
“Isso criará uma nova vantagem competitiva, na qual o desenvolvimento da IA estará intrinsecamente ligado à transição para a energia verde. Ao aproveitar sua capacidade de energia verde de ponta para alimentar centros de dados, a China poderá reduzir significativamente o custo da computação de IA”, afirmou.
Essa sinergia, acrescentou Depoux, não só contribui para as metas climáticas globais, como também posiciona a China para liderar a próxima onda de inovação digital com serviços de IA mais acessíveis e movidos a energia limpa.
Além disso, ele descreveu a Ásia como um farol de crescimento global nos últimos anos, observando que a China está desempenhando um papel importante nessa tendência, impulsionada por avanços tecnológicos significativos.
“A China está se transformando de uma fabricante e consumidora de produtos em uma inovadora e criadora de tendências, impulsionada por uma combinação única de inovação, escala e velocidade”, disse Depoux.
A ascensão da China como líder em inovação, juntamente com seu rápido crescimento de produtividade e expansão global, continuará a remodelar as cadeias de suprimentos regionais e globais, criando oportunidades para empresas multinacionais (EMNs), afirmou Depoux.
Para as multinacionais, a China representa uma plataforma de crescimento dinâmica e multifacetada, afirmou ele. “A oportunidade não é apenas vender para a China, mas crescer com a China à medida que ela constrói novos corredores de cooperação, especialmente com o Sul Global.”
“Em diferentes mercados e segmentos, veremos empresas chinesas e multinacionais colaborando entre si, tanto na China quanto no resto do mundo”, disse ele.





