Um homem decidiu afastar-se da vida urbana no Vietname para construir, sozinho, uma aldeia flutuante totalmente auto-sustentável num lago isolado. Durante um ano, combinou materiais naturais e técnicas tradicionais para erguer uma base robusta sobre a água, implantando arrozais flutuantes, um viveiro de peixes e um pequeno galinheiro. A experiência mostrou que a adaptação ao ambiente pode permitir uma vida independente em plena natureza.
A estrutura inicial assentou no uso intensivo do bambu, material abundante, resistente e naturalmente flutuante. A construção começou numa margem plana, onde foram preparadas fibras de bambu para servir de cordame e garantir a amarração de todos os elementos. A opção por viver sobre a água funcionou também como defesa contra animais terrestres, especialmente durante a estação chuvosa.
A montagem da casa flutuante foi feita com técnicas tradicionais de madeira, recorrendo a encaixes do tipo mortise and tenon, que permitem unir peças sem pregos. Com apenas uma faca, um serrote e um martelo, o construtor esculpiu manualmente cada elemento. Para transportar grandes quantidades de bambu, projectou um pequeno guindaste de alavanca capaz de mover cargas pesadas sobre a plataforma.
Concluído o abrigo, avançou para a produção de alimentos. Num deck reforçado, montou pequenos vasos feitos de troncos ocos, onde plantou pimentos, fetos e bananeiras. A terra utilizada vinha da própria floresta, rica em matéria orgânica em decomposição, servindo de adubo natural.
O passo seguinte foi a criação do arrozal flutuante, que utilizou folhas de bananeira para impermeabilização e composto orgânico produzido pelo próprio. Após a colheita, desenvolveu um pilão de pé para descascar o arroz e um sistema de peneiração para separar o grão limpo. A pesca foi reforçada com um arpão artesanal e uma rede elevatória movimentada por polias talhadas à mão, enquanto a proteína terrestre veio de um pequeno galinheiro construído após a captura de duas aves selvagens.
O sistema completou-se com a domesticação de uma colmeia encontrada na floresta, que passou a fornecer mel e a polinizar as plantas cultivadas na plataforma. Ao fim de 12 meses, o homem conseguiu estabelecer um espaço flutuante funcional, onde abrigo, alimento e energia manual formam um ecossistema capaz de se sustentar sem apoio externo.






