Daniel Chapo em Meluco: A Paz como Alicerce para o Desenvolvimento de Cabo Delgado

MELUCO – O Presidente da República, Daniel Chapo, escalou, esta terça-feira, 30 de Junho, o distrito de Meluco, na província de Cabo Delgado, no âmbito da iniciativa “Governação de Proximidade”. A visita, que acontece sete anos após a última deslocação de um Chefe de Estado àquele distrito, ficou marcada por um forte apelo à unidade nacional, ao combate à desinformação e à consolidação da paz, num contexto de reconstrução e resiliência face ao terrorismo.

Um reencontro após sete anos

A recepção ao Chefe de Estado decorreu num ambiente de grande entusiasmo, marcado por manifestações culturais e pela participação massiva da população. Desde 2019 que a vila-sede de Meluco não recebia a visita de um Presidente da República, circunstância que elevou as expectativas dos residentes, muitos dos quais regressaram recentemente às suas zonas de origem, depois de terem sido deslocados devido ao terrorismo.

Na sua intervenção, Daniel Chapo afirmou que a sua presença representava o cumprimento do compromisso assumido de governar próximo da população.

“Governação próxima do povo significa sair de Maputo, vir a Cabo Delgado até chegar a Meluco para conversar com a população. Não é uma conversa qualquer; é uma conversa para ouvir as preocupações do povo, porque são essas preocupações que servem de nosso instrumento de trabalho.”

A paz como prioridade absoluta

O principal enfoque do discurso presidencial incidiu sobre a necessidade de consolidar a paz como condição indispensável para o desenvolvimento económico e social.

O Presidente solidarizou-se com as vítimas do terrorismo, reiterando que o sofrimento vivido em Cabo Delgado é uma preocupação de todo o País.

“Atacar Meluco ou Cabo Delgado é atacar Moçambique. Somos um único povo unido do Rovuma ao Maputo. Quando cortam o dedo pequeno do meu pé, não é só o dedo que sente a dor; todo o corpo sente.”

Daniel Chapo defendeu o diálogo como o principal instrumento para o restabelecimento da paz e da segurança, apelando, inclusive, aos indivíduos que ainda permanecem nas matas para que adiram ao processo de diálogo nacional inclusivo.

“A paz não é apenas o calar das armas; a paz é a ausência da violência física e psicológica.”

Acrescentou que o Governo continuará a recorrer a todos os mecanismos legais e institucionais disponíveis para alcançar uma paz efectiva e duradoura.

Vigilância contra a desinformação

Outro aspecto de destaque da intervenção presidencial foi o alerta lançado contra a propagação de boatos e campanhas de desinformação que circulam nas comunidades.

O Chefe de Estado citou exemplos de falsas informações relacionadas com surtos de cólera e outros mitos utilizados para gerar medo, instabilidade e desconfiança entre a população.

“O inimigo da paz não gosta de ver o povo em paz, por isso está toda a hora a inventar mentiras e boatos para destruir as conquistas do povo.”

Perante este cenário, apelou aos cidadãos para que mantenham uma postura vigilante e não se deixem manipular por informações falsas.

As principais preocupações da população

Em representação da população, um líder comunitário apresentou uma mensagem contendo as principais preocupações dos residentes, posteriormente reforçadas por intervenções de vários cidadãos.

Entre as prioridades apontadas destacam-se:

  • o asfaltamento da estrada Enguia–Meluco–Montepuez;
  • a construção de um hospital distrital condigno;
  • a instalação de uma agência bancária;
  • a expansão da rede nacional de energia eléctrica;
  • a melhoria da cobertura da telefonia móvel.

Em resposta às preocupações apresentadas, o Presidente anunciou algumas medidas de impacto imediato.

Entre elas, destacou-se a isenção, até 31 de Dezembro de 2026, das taxas de emissão de certidões, cédulas pessoais e Bilhetes de Identidade.

Anunciou igualmente que o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FIDEL) terá o seu orçamento duplicado em todos os distritos do País ainda este ano, com o objectivo de financiar projectos de jovens e mulheres empreendedores.

População pede mais infra-estruturas

Durante o encontro, o residente conhecido por “Papá Nené” reconheceu os progressos registados no domínio da segurança, mas defendeu que os investimentos em infra-estruturas devem prosseguir.

“A guerra existe, sim, mas já não é como no princípio. Queremos que a energia chegue às localidades e que a estrada seja asfaltada para podermos crescer.”

Compromisso governamental

No encerramento da visita, o Presidente da República garantiu que as preocupações apresentadas pela população serão analisadas e integradas no plano de acção do Executivo.

Daniel Chapo reafirmou que o desenvolvimento de Meluco e de Cabo Delgado continuará a ser construído de forma gradual e sustentada, defendendo que o progresso, tal como o crescimento de um ser humano, faz-se passo a passo.


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