Cruzou-se com Maradona, marcou Julián Alvarez e fez-se feliz no… Bragança


O Bragança sonhou até o fim com a Liga 3 e muito na carona do tango de três argentinos, que a cidade tão bem soube adotar.

Os transmontanos só caíram na última rodada da fase de subida do Campeonato Português, ao perder por 0 a 1 em casa para o Leça (que já tinha a promoção garantida), permitindo que o Vianense ocupasse a vaga de ascensão que restava. Nahuel Machado orgulha-se, ainda assim, daquela que foi «uma das melhores épocas da história do Bragança» e… a grelha televisiva que o diga: «Até conseguimos aparecer várias vezes no Canal 11.»
O zagueiro, de 26 anos, chegou a Portugal em 2019, depois de ter feito a formação toda nos argentinos do Estudiantes, mas confessa, ao nosso jornal, ter vindo… ao engano: «Um empresário disse que havia uma oportunidade, na AD Oliveirense, mas acabei no Mirandês. Foi o pior momento da minha carreira, porque as condições não foram as que prometeram. Foi frustrante, porque éramos [incluindo os compatriotas] de fora, estávamos longe das nossas famílias, não conhecíamos ninguém…»


Nahuel Machado começou a jogar no Estudiantes aos 9 anos – Foto: DR

Depois da decepção em Miranda do Douro e passagens por Vilar de Perdizes, Lixa, Jonava (onde atuou na primeira divisão da Lituânia) e Vila Caiz, o jogador voltou a encontrar calor na… Terra Fria, em janeiro de 2024. «Encontrei uma família, num clube que liga muito à parte humana. Eu tive uma experiência muito ruim no primeiro ano e a situação em que estou agora não se compara. Bragança é uma terra de gente muito boa, que não se encontra em qualquer lugar», elogia o zagueiro.


Armada argentina feliz em «terra de gente boa» – Foto: D.R.


Há oito anos jogava contra o River Plate

Trajeto idêntico ao de Nahuel Machado teve Diogo Parini, que voou de La Plata para Portugal no mesmo ano. A diferença está nos livros. Estudiantes? Nem pensar… o médio tem selo de formação do arquirrival Gimnasia. Foi lá que ganhou cabedal para o futebol e se estreou na… primeira divisão da Argentina!
Diego Parini conta, em sua história, com um encontro no campeonato argentino e logo diante do colosso River Plate (1-3), em um 3 de dezembro de 2018 para nunca mais esquecer: «Na verdade, quase não consegui aproveitar. Foi um jogo muito intenso, o River tinha jogadores muito bons e eu tinha que marcar o Julián Alvarez. Mesmo assim, foi uma experiência muito boa, com apenas 20 anos.»

«Apesar de sempre ter sido meia, joguei de lateral-esquerdo naquele jogo, adaptado», lembra. O canhoto estava em alta no clube do coração, mas uma fatídica lesão, logo depois, fez com que ele nunca mais (até ver…) voltasse a vestir a camisa azul e branca. «Depois desse jogo tive uma lesão no joelho, fiquei parado por muito tempo e, nesse meio tempo, meu contrato acabou…», lamenta, ao nosso jornal.


Diego Parini (o primeiro à esquerda da fila de baixo) na estreia pela equipa principal do Gimnasia – Foto: D.R.


De azar em azar… «correu tudo mal»

Em um momento em que buscava se reerguer, Diego Parini teve, então, a mesma proposta do amigo Nahuel Machado e seguiu para Portugal. Confirma-se: 2019/20 foi mesmo a pior temporada para a armada argentina. — Teve um empresário que me falou da possibilidade de vir jogar na AD Oliveirense. Acabei no Mirandês, mas deu tudo errado e tive que começar do zero, sem empresário, sem falar português, sem conhecer ninguém…”, lembra, com angústia.
O centrocampista passou, depois, pelo Vidago e Mirandela, mas foi em Bragança que voltou a saborear felicidade, em 2024. O craque, de 28 anos, encontrou no Nordeste Transmontano uma «segunda casa» que já tinha conhecido no Gimnasia, onde, imagine-se, chegou a cruzar-se com… Diego Armando Maradona, mas, lamentavelmente, por pouco tempo: «Quando o Maradona chegou, eu saí, foi uma questão de um ou dois dias. Ainda o vi e troquei algumas palavras, mas nada demais…»


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