A proposta do fundo liderado pelo investidor brasileiro Paulo Assis (que se propôs a ficar com com 49,9% do capital) foi validada por uma margem mínima: 1.823 votos a favor, contra 1.810 votos (incluindo brancos e nulos), após recontagem, numa sessão que contou com a presença de 544 associados — uma das mais concorridas da história recente do clube.
A aprovação da criação da Sociedade Anónima Desportiva (SAD) do Paços de Ferreira será agora contestada na Justiça. A decisão foi anunciada por um grupo de ex-dirigentes, que inclui o ex-presidente Fernando Sequeira, além de José Manuel Magalhães e Moreira Lobo.
Em questão estão supostas irregularidades e falta de transparência no processo de votação e na apuração dos resultados da Assembleia de 24 de abril. Em carta aberta dirigida aos sócios, os subscritores explicam que o recurso à via judicial surge como «último recurso» após o fracasso de várias tentativas de resolução interna.
De acordo com a missiva, foram promovidas reuniões com a Mesa da Assembleia Geral e enviadas comunicações formais, além de ter sido apresentado um pedido para a convocação de uma nova reunião magna, subscrito por um número significativo de sócios. O objetivo era «permitir que todos os sócios pudessem ser ouvidos e que a verdade fosse apurada de forma clara e inequívoca».
Os ex-dirigentes lamentam, no entanto, que «todas essas diligências tenham sido ignoradas ou indeferidas pelos órgãos sociais competentes» – que logo acusam de não demonstrar «capacidade nem abertura necessárias para resolver internamente um problema que exige transparência, rigor e respeito aos associados».
Apesar do avanço para os tribunais, os contestadores mantêm a porta aberta para uma solução interna, comprometendo-se a «pôr fim imediato a todas as iniciativas judiciais em curso» caso seja convocada uma nova Assembleia Geral Extraordinária. A condição é que ela ocorra «em horário adequado e com um processo de escrutínio transparente, rigoroso e acompanhado pelos sócios».
Na carta, os signatários também reforçam que respeitarão o resultado que surgir de uma nova votação, «seja ele qual for», apelando para a «união, participação ativa e senso crítico de todos os associados neste momento determinante».
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