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Cresce nos EUA a crença de que Trump sabia dos crimes de Jeffrey Epstein, indicam sondagens

À medida que se aproxima a divulgação de novos documentos ligados ao caso Jeffrey Epstein, aumenta nos Estados Unidos a desconfiança pública em relação ao ex-presidente Donald Trump. Várias sondagens indicam que muitos americanos acreditam que Trump tinha conhecimento dos alegados crimes cometidos pelo financista.

Na sexta-feira, democratas da Câmara dos Representantes tornaram públicas novas fotografias retiradas dos arquivos de Epstein. As imagens mostram Trump ao lado de figuras influentes, como o ex-presidente Bill Clinton, o estratega político Steve Bannon e o empresário Richard Branson. As fotografias fazem parte de um vasto acervo com dezenas de milhares de registos.

As relações de Epstein com essas personalidades já eram conhecidas e nenhuma delas foi formalmente acusada pelas autoridades. Ainda assim, a divulgação voltou a colocar o tema no centro do debate político norte-americano.

No mesmo dia, uma sondagem da Reuters-Ipsos revelou dados considerados preocupantes para Trump. O estudo perguntou se os americanos acreditavam que ele desconhecia os supostos crimes de Epstein antes de se tornarem públicos. Apenas 18% responderam que isso era provável. Em contrapartida, 60% afirmaram que era pouco ou nada provável que Trump não soubesse do que se passava.

Mesmo entre eleitores do Partido Republicano, a opinião mostrou-se dividida. Cerca de 39% acreditam que Trump sabia de algo suspeito, enquanto 34% consideram que ele não tinha conhecimento.

Outra sondagem, realizada pela Yahoo News-YouGov em Julho, foi ainda mais contundente. Quase metade dos americanos, 48%, disse acreditar que Trump pode ter participado em crimes com Epstein. Apenas 24% rejeitaram totalmente essa possibilidade, enquanto o restante preferiu não tomar posição.

Trump nunca foi acusado no caso Epstein e nega qualquer envolvimento. A Casa Branca classificou as recentes divulgações como uma ofensiva política dos democratas, afirmando que os documentos e imagens não provam qualquer irregularidade.

Analistas explicam que a desconfiança popular resulta, em parte, da forma como Trump lidou com o assunto ao longo dos anos. Ele fez declarações contraditórias sobre a sua relação com Epstein e demorou a esclarecer o que sabia sobre Ghislaine Maxwell, cúmplice do financista, e sobre a vítima Virginia Giuffre.

E-mails de Epstein, divulgados recentemente, mostram que o próprio financista acreditava que Trump tinha conhecimento das suas actividades. Em mensagens privadas, Epstein afirmou que Trump sabia do recrutamento de jovens mulheres.

Com o prazo próximo para o Departamento de Justiça entregar novos documentos ao Congresso, o caso representa um risco político significativo para Trump. Para muitos americanos, o dossiê Epstein reforça a ideia de falta de transparência entre figuras poderosas, alimentando suspeitas mesmo na ausência de provas diretas.

Naldo Agostinho

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