O anúncio do Ministério do Interior sobre a abertura de 4.000 vagas para a Polícia da República de Moçambique (PRM) está a mobilizar milhares de jovens em todo o país. Em Cabo Delgado, a afluência é tão grande que muitos candidatos passaram a dormir em frente a agências bancárias para conseguir efectuar o depósito exigido para a inscrição.
Na capital provincial, Pemba, as longas filas começaram a formar-se logo após a abertura do concurso. A província dispõe de apenas 300 vagas, mas a procura supera largamente a oferta. Para concluir a candidatura, os interessados precisam efectuar um depósito bancário de 450 meticais, condição que se transformou num verdadeiro desafio devido à morosidade no atendimento.
Basília Marcelo Maro Benjamim, candidata, conta que já soma cinco dias na fila sem sucesso.
“Estou na bicha desde a semana passada e ainda não consegui depositar. Mesmo assim, não quero desistir. Sinto-me chamada para defender a pátria”, disse.
Outro jovem, Germano Simão Armando, afirma estar há duas semanas à espera da sua vez.
“Tenho de ser polícia de verdade. Quero cuidar do meu país e proteger as fronteiras. Não vou desistir”, garantiu, com determinação.
Também Mait Suma enfrenta o mesmo drama. Há dois dias na fila, confessa que está preparada até para dormir no local.
“Já me formei na área da saúde, mas sinto que ser polícia é um dom, um chamamento. Mesmo com dificuldades, não vou desistir”, contou.
As críticas à forma como os bancos estão a gerir o processo também não faltaram.
Daniel Carolino Assisto, que dormiu à porta de uma agência, denuncia falta de organização:
“Chegámos aqui ontem às 20 horas, mas hoje outros passaram à frente. Isso não é justo. Pedimos que o sistema seja melhorado, nem que se abram outras agências para receber depósitos”.
Apesar da frustração, a persistência dos jovens é visível. Muitos afirmam que não vão desistir, mesmo que tenham de passar noites em frente ao banco. O desejo de vestir a farda da PRM e “defender a pátria” parece ser mais forte do que o desgaste físico e a burocracia.
Enquanto isso, as filas continuam a crescer em Pemba e noutras cidades do país, reflectindo não só o interesse massivo dos jovens em ingressar na polícia, mas também os desafios logísticos de um concurso nacional de grande escala.
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