MARIA MIRANDA
PASSEIOS ocupados, peões e viaturas à mercê caracterizam o comércio informal que parece não conhecer limites na Região Metropolitana do Grande Maputo. À medida que o tempo passa, faixas de rodagem, pontes pedonais e bermas cedem lugar a bancas improvisadas de roupas, frutas, legumes e outros artigos.
Estruturas frágeis surgem em cada esquina, transformando o espaço público em mercados a céu aberto, onde a anarquia sobrepõe-se à ordenação territorial, comprometendo a mobilidade, segurança rodoviária e a higiene urbana.
O quadro é crítico em locais como a baixa da cidade, Praça dos Combatentes, Zimpeto, Xipamanine, Benfica, Magoanine, Malhampsene e “Casa Branca”, entre outros pontos, com o número de vendedores a crescer de forma contínua.
Na Praça dos Combatentes, tanto no exterior como no interior do terminal de viaturas, acumulam-se bancas improvisadas a expor montes de roupa de segunda mão, artigos diversos e até serviços de manicure com bancos de espera que ocupam os corredores de passagem.
Apesar de relatos frequentes de atropelamentos, alguns com consequências graves, a actividade mantém-se intensa. Em vários passeios observam-se redes mosquiteiras proibidas para comercialização. Bolachas, sumos fora do prazo, frutas deterioradas e calçado em mau estado são vendidos a preços reduzidos, evidenciando a fraca fiscalização municipal.
No Xipamanine, a pressão é maior: os passeios quase desapareceram sob sacos espalhados e estruturas frágeis. Peões circulam pela faixa de rodagem, lado a lado com viaturas, elevando o risco de acidentes e provocando congestionamentos constantes.
A preparação de alimentos ao ar livre agrava o cenário. Fogões ocupam os passeios e deixam carvão, cinzas e resíduos no chão. Géneros alimentícios expostos ao sol, à poeira e chuva aumentam o perigo de contaminação e da proliferação de insectos, colocando em causa a saúde pública.
Na Avenida Guerra Popular, torna-se cada vez mais notória a presença de viaturas estacionadas em locais proibidos, que funcionam como bancas móveis para a venda de doces, salgados e bebidas, enquanto o lixo diverso se acumula nas imediações.
Na Matola, sobretudo em Mahlampsene, nas proximidades da Estrada Nacional Número Quatro (EN4), vendedores ocupam bermas e a vedação do terminal é utilizada como montra. Pontes pedonais, como a da paragem da “Casa Branca”, também são aproveitadas para expor mercadorias.
Ao cair da noite, a marca dos informais é desoladora, resíduos espalhados pelo chão e a presença de roedores acentuam a imagem de degradação. Aos domingos, muitas bancas permanecem abandonadas ao ar livre. Quando surgem as autoridades, instala-se a correria: mercadorias são recolhidas à pressa e a actividade retoma pouco depois, demonstrando a persistência do fenómeno no espaço urbano, enquanto mercados municipais permanecem com espaços por ocupar.





