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COMENTÁRIO: Concessionária da Circular…

Bhala la Ussokote

O CONCEITO de estradas com portagem foi introduzido em Moçambique com o propósito de viabilizar o financiamento da construção, manutenção, operação e melhoria das infra-estruturas rodoviárias, de modo a garantir maior qualidade e segurança. Do outro lado da moeda, está a ideia cidadanista de “utilizador-pagador” que, teoricamente liberta o Estado da responsabilidade directa pelos custos de operação das estradas com portagem.
São várias as ilações que foram sendo tiradas ao longo do tempo desde que esta filosofia foi introduzida no país, com palco pioneiro na EN4. É compreensível que, em vários momentos, os utilizadores desta via tenham aproveitado determinadas circunstâncias para manifestar dissenso em relação ao pagamento, o que não deixa de ser natural na lógica dos humanos.
Na verdade, a irresignação a pagamentos não é exclusiva às tarifas de portagens. Basta ver as soluções a que o Estado deve recorrer para garantir a colecta de impostos, tanto aos cidadãos como a empresas e instituições. O certo é que, com ou sem murmúrios, o Estado vai fazendo de tudo para cobrar os impostos de que sobrevive e, os concessionários das estradas com portagens, também, vão cobrando tarifas aos utilizadores com a promessa de oferecer qualidade e segurança na rodovia…
O problema, neste caso, começa quando o utilizador paga, mas não encontra a qualidade, segurança e comodidade prometidas pelo operador!
Por exemplo, não é compreensível que, com tantos sinais de deterioração das condições de segurança na Estrada Circular, o operador não tenha, até aqui, dado sinais de alguma intenção de corrigir os problemas que se avolumam a cada dia, a exemplo da desordem provocada pelos trabalhadores contratados para varrer a rodovia, em plenas horas de pico de trânsito!
A impressão com que se fica é de que aqueles cidadãos não recebem nenhuma indução antes de se fazerem à via, com vassouras, acabando por posicionar os seus carrinhos de mão ou por colocar seus cones de sinalização sem pensar nas limitações que causam ao trânsito, ou até no perigo que acabam por criar para si e para os condutores. Habituados a esta anarquia, alguns destes trabalhadores já se comportam com alguma arrogância. Para testemunhar estas e outras enormidades, basta percorrer a Estrada Circular… A questão que não quer calar é: afinal de quem foi a ideia de mandar varrer a estrada só nas horas de ponta?
Outra monstruosidade que cresce e se reinventa a cada dia nesta rodovia é a arrogância com que os “chapeiros” vão assumindo que podem parar (até estacionar!) no interior das rotundas, tanto para embarcar ou desembarcar passageiros, ou até para esvaziar o conteúdo das marmitas que levam de casa, com toda a calma do mundo, e completamente alheios à confusão que causam no trânsito.
Pelos vistos, a Polícia que amiúde se posiciona naquelas rotundas, não tem autoridade sobre os “chapeiros” que, “na maior cara de pau”, vão fazendo o que bem lhes apetecer, enquanto os agentes se entretêm com os seus telemóveis…
Com tanto instinto selvagem a destacar-se no comportamento dos “chapeiros” nas rotundas, não será que está na hora de a concessionária da via investir em medidas de mitigação à altura?
Já se pensou, por exemplo, em pontes nas rotundas de Albasine e na chamada “primeira rotunda”, para fazer face ao tráfego que cresce contaminado pela indisciplina dos “chapeiros”? Já pensou, a concessionária, em colocar barreiras de protecção, em betão, para impedir o acesso de pessoas ao interior das rotundas e, consequentemente, que os “chapeiros” usem aquela área para embarque e desembarque de passageiros?
Provavelmente a concessionária dirá que não tem fundos para tais investimentos, mas fica difícil aceitar essa justificação para quem paga pela utilização da via, e se sujeita a situações humilhantes. Já imaginaram, os gestores da concessionária da Estrada Circular, o que significa para um mortal, levar três horas para viajar da Costa do Sol até Txumene, duas das quais só para vencer bagunça sistematicamente instalada da “primeira rotunda”?
Assim também não dá!

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