A Procuradoria-Geral da República (PGR) apreendeu uma avultada quantia em dinheiro durante uma operação de busca e apreensão realizada num consultório médico, na cidade de Maputo, no âmbito de uma investigação por suspeitas de branqueamento de capitais.
A diligência foi conduzida por uma equipa conjunta da PGR e do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), no cumprimento de um mandado judicial, e insere-se num processo-crime que investiga a origem e o destino de valores mantidos fora do sistema bancário.
Segundo fontes ligadas à investigação, o dinheiro encontrava-se armazenado em diferentes compartimentos do consultório, levantando suspeitas de que o espaço estaria a ser utilizado para fins alheios à prática médica regular.
As autoridades investigam a possibilidade de o consultório servir como fachada para a movimentação e ocultação de fundos de proveniência ilícita. O volume de dinheiro apreendido, segundo as mesmas fontes, não corresponde ao perfil normal de receitas de um serviço médico convencional.
Embora o montante exacto ainda esteja a ser apurado, a PGR considera a apreensão relevante para o esclarecimento de eventuais crimes de fraude fiscal, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Em reacção à operação, a defesa do estabelecimento afirmou ter sido surpreendida pela acção das autoridades. O advogado do consultório disse que, até ao momento, não foi formalmente informado sobre os fundamentos concretos da diligência.
A defesa sustenta que aguarda um pronunciamento oficial da PGR para compreender o enquadramento legal da apreensão e as suspeitas que recaem sobre o espaço e os seus responsáveis.
Especialistas em criminalidade económica apontam que o uso de clínicas, escritórios e outros estabelecimentos formais como cobertura para operações financeiras ilícitas é uma prática recorrente em esquemas de branqueamento de capitais.
Esses locais oferecem aparência de legalidade, dificultando a detecção imediata das irregularidades, sobretudo quando há circulação intensa de pessoas e serviços.
A PGR confirmou que as diligências continuam, incluindo a análise da contabilidade, licenciamento do consultório, fluxo financeiro e eventual ligação com outras entidades ou pessoas sob investigação.
Até ao momento, não há informação oficial sobre detenções, mantendo-se o princípio da presunção de inocência dos visados.
O caso reacende o debate público sobre a necessidade de maior fiscalização de actividades económicas sensíveis e sobre o uso de dinheiro em numerário fora do sistema financeiro formal.
Para já, a pergunta permanece: tratava-se de um consultório médico legítimo ou de uma clínica de faz de conta? A resposta ficará a cargo da investigação.
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