China avalia flexibilizar uso do Yuan em 2026

A economia chinesa entra em 2026 com sinais mistos, mas com um movimento claro: as empresas estão a investir mais no exterior. Esse avanço, por sua vez, pode levar o governo a facilitar o uso transfronteiriço do Yuan. A tendência reforça a ideia de que a internacionalização da moeda é cada vez mais guiada pelo mercado e não apenas por decisões políticas.

O economista Xiang Songzuo, antigo economista-chefe do Agricultural Bank of China, afirma que as empresas chinesas expandem os seus investimentos além-fronteiras de forma muito acelerada. Por isso, segundo ele, Pequim deverá criar mais condições para apoiar essas operações. Ele explica que, embora a política oficial seja relevante, a pressão verdadeira vem do sector empresarial.

Actualmente, qualquer investimento directo no exterior exige aprovação governamental. Além disso, a China mantém controlos de capital rígidos para evitar grandes saídas de divisas. Mesmo assim, o governo defende o uso crescente do yuan no comércio global, o que cria uma contradição cada vez mais notória.

À medida que mais empresas procuram presença internacional, aumenta a necessidade de transacções em yuan. Por essa razão, Xiang acredita que Pequim acabará por acelerar a flexibilização dos fluxos cambiais. Ele afirma que o governo apoiará investimentos legítimos, sobretudo aqueles que reforçam a posição global das empresas chinesas.

No curto prazo, a pressão empresarial pode levar a ajustes graduais. No médio prazo, Pequim deverá facilitar operações transfronteiriças e incentivar o uso do yuan em contractos internacionais. A mudança não acontece apenas por vontade política. Ela nasce da realidade económica: as empresas chinesas estão a tornar-se mais globais, e a moeda precisa de acompanhá-las.

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