Carvalhal: «Contem com o Famalicão para estragar as coisas em alguns campos...»

Carvalhal: Contem com o Famalicão para estragar as coisas em alguns campos…


Carlos Carvalhal foi esta segunda-feira apresentado como novo treinador do Famalicão.

Já depois de ontem o clube ter anunciado a sua contratação — momento que confirmou a notícia avançada em exclusivo por BOLA na noite da passada quinta-feira —, hoje foi dia de colocar o experiente técnico, de 60 anos, na cadeira da liderança.

Durante a cerimônia, que aconteceu no Centro de Treinamento do Famalicão, Carlos Carvalhal começou por elencar os motivos que o levaram a aceitar imediatamente o convite que lhe foi feito. E em meio às questões esportivas, também houve um momento de enorme sensibilidade, relacionado às origens do treinador. O pai de Carvalhal, que passa por problemas de saúde, tem raízes em Vila Nova, e na hora de proferir as primeiras palavras como novo homem do leme dos minhotos, o treinador fez questão de mencionar o progenitor, assumindo o desejo de dar-lhe uma grande alegria pintada de azul e branco.
«É um prazer grande treinar o Famalicão. Há várias razões pelas quais digo isso. A primeira é que conheço o presidente há muitos anos, já tivemos muitas conversas. Dou-lhe os parabéns pelas excelentes instalações que o clube tem neste momento. Depois, também conheço André [Vilas Boas, diretor desportivo]trabalhámos juntos no Rio Ave e ficámos amigos. É uma pessoa de elevada competência, basta ver as aquisições que nunca falham, acerta em quase todas [risos]. Outro motivo importante é o de tratar-se de um clube com paixão, com torcedores que vibram. Em Famalicão as pessoas gostam muito de futebol e do Famalicão. É um clube com muita alma. Também devo mencionar que é um elenco com jogadores jovens de alto potencial e temo-nos sentido confortáveis ​​em evoluir os jogadores e as equipas. Por último, pelo meu pai, que, infelizmente, tem demência. A família do meu pai é de Famalicão e na minha infância passei muito tempo em Famalicão, visitando tios e primos. Fiquei extremamente satisfeito quando tive a oportunidade de contar para meu pai, que ficou todo feliz. Isso é algo muito importante no meu íntimo e que vou carregar ao longo da temporada. Gostaria muito de dar uma alegria grande e vou fazer de tudo para que no final da temporada eu fique ainda mais feliz», começou por dizer.

Sem deixar escapar a oportunidade de endereçar uma mensagem de elogio ao seu antecessor, Carvalhal prometeu uma equipa com identidade própria e a bater-se com todos os oponentes: «Uma palavra para o trabalho excelente que foi feito pelo Hugo [Oliveira] e por sua comissão técnica, algo que lhe rendeu uma promoção para um clube francês muito bom. Aliás, também quero agradecer publicamente pelo fato de ter conversado comigo e me dado todas as informações. Desejo-lhe as maiores felicidades. Nossa intenção é manter tudo que foi bem feito e dar nossa matriz, mesmo que em uma linha de continuidade em um primeiro momento. Fiquei um ano sem treinar por opção. Fazemos isso com alguma regularidade, para o bem de nossa saúde mental. Estamos com muita vontade de trabalhar. Ambições do clube? Quero um time competitivo, que olhe nos olhos de todos os adversários e sempre pense que pode vencer qualquer jogo. Chegue a um lugar ou outro, veremos o caminho. Temos o objetivo de formar um time competitivo e contar com o Famalicão para estragar as coisas em alguns campos [risos].»
O experiente treinador, de 60 anos, tem um currículo vastíssimo em Portugal e no exterior — além dos trabalhos altamente meritórios que realizou ao longo de um caminho que já vai longo, Carlos Carvalhal pode se orgulhar de ter conquistado a antiga II Divisão B (pelo Leixões, em 2002/2002), a Allianz CUP (a serviço do Vitória de Setúbal, em 2007/2008) e a Taça de Portugal (representando o SC Braga, na época. 2020/2021) —, mas os olhos estão colocados no presente e no futuro. Ambição não falta.

«Queremos jogar bem, ser organizados e potencializar jogadores. Acreditaremos convictamente que podemos ganhar todos os jogos, ser ousados», ressaltou, sem se mostrar minimamente preocupado com a eventualidade de perder alguns dos jogadores mais midiáticos do atual elenco do Famalicão: «Mercado? Não temo nada, já estou acostumado com isso. Felizmente, o clube está tão estruturado cada eventual situação de saída está prevista. Se você me perguntar se estou esperando alguém sair, sim. Pelo menos, talvez dois jogadores. Mas não vejo isso como um drama. Estou muito agradado pelo potencial que os jogadores do Famalicão têm.»


A «elevada honra» de Miguel Ribeiro

Ao lado de Carlos Carvalhal, por ocasião da coletiva desta segunda-feira, estava Miguel Ribeiro. O presidente da SAD do Famalicão não escondeu o orgulho por poder contar com o treinador para esta nova fase da vida do clube.
«É com alta honra e ambição que fazemos hoje a apresentação do mister Carlos Carvalhal, algo que faz todo o sentido para nós e, acredito, para ele. É o renovar da ambição do Famalicão, sempre em cima do que é a nossa ambição e filosofia. Mais do que objetivos, nós temos uma visão e uma filosofia, que gira em torno do jogo e do jogador. Por isso, estamos muito animados por anunciarmos Carlos Carvalhal como timoneiro de um time que sempre terá esse foco, do jogo e do jogador. Bem-vindo, mister. As expectativas são altas pela confiança que temos na escolha. É uma grande demonstração de maturidade de um clube como o Famalicão quando perde um treinador contratar logo um técnico como Carlos Carvalhal. Você nunca vai me ouvir pedir lugares, é jogo e jogador. Um processo de desenvolvimento de futebol. O Famalicão hoje está baseado nessa matriz. Carlos Carvalhal chega ao Famalicão no momento certo. O Famalicão hoje está mais preparado para te receber e te dar ferramentas. Isso é um caminho e o Famalicão está trilhando esse caminho», disse.
A ambição é muito, mas Miguel Ribeiro também fez questão de elogiar o trabalho e a postura de Hugo Oliveira: «Em boa hora renovou [o novo contrato tinha sido oficializado a 28 de março deste ano e promoveu, na altura, um estender de vínculo até 2028]caso contrário sairia livre. Surpreendeu-me, mas tudo o que envolve cláusulas de rescisão [neste caso, de 4 milhões de euros] é assim, não é nada negociado. Indicamos o IBAN e recebemos o pagamento. O comportamento do Strasbourg foi exemplar, assim como exemplar foi o comportamento do Hugo Oliveira. Deixo uma palavra de agradecimento a você, bem como a sua equipe técnica. Vestiu a camisa do Famalicão desde o primeiro dia, sempre foi alguém muito leal e competente. A partir de hoje caminharemos juntos com o mister Carlos Carvalhal, sempre com a mesma força.»
O líder máximo do emblema famalicense foi também instado a pronunciar-se sobre a possível saída de Gustavo Sá, jogador que tem bastante mercado e que nas últimas semanas foi associado aos ingleses do West Ham. Miguel Ribeiro não confirmou este cenário, mas também não fechou a porta a uma hipotética transferência do internacional sub-21 português. «Se o clube esteve preparado para perder o treinador, imagine para os jogadores. Claro que está preparado. Se o vamos perder ou não, o mercado o dirá. Há uma coisa muito segura, é que não perdemos o sono. Estamos confortáveis do ponto de vista desportivo e financeiro. Não estamos dependentes da sua saída ou da sua permanência para sermos cumpridores e ambiciosos. É nosso jogador, naturalmente que tem abordagens, e o Famalicão está preparado em toda a linha para tudo o que possa acontecer», finalizou o presidente da SAD dos minhotos.

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