Bernardino Rafael ouvido na PGR por alegadas ordens de repressão violenta nas manifestaçÔes pós-eleitorais

O antigo Comandante-Geral da PolĂ­cia da RepĂșblica de Moçambique (PRM), Bernardino Rafael, foi ouvido, esta segunda-feira, na Procuradoria-Geral da RepĂșblica (PGR), no Ăąmbito de uma queixa submetida por organizaçÔes da sociedade civil, que o acusam de ter ordenado o uso de força letal por parte das forças policiais durante as manifestaçÔes pĂłs-eleitorais de 2023.

A audição teve início às 9h00 da manhã e decorreu sob forte aparato de segurança, embora num ambiente aparentemente calmo nas imediaçÔes da PGR, ao contrårio de ocasiÔes anteriores em que o trùnsito foi condicionado e a presença de agentes da Unidade de Intervenção Råpida era visível.

De acordo com as informaçÔes recolhidas no local, a chegada de Bernardino Rafael foi marcada por um elevado grau de discrição. O ex-dirigente policial terå evitado a entrada principal do edifício, tradicionalmente utilizada por outras figuras chamadas a depor, optando por uma via alternativa que dificultou a cobertura da imprensa, impedindo o registo visual da sua entrada.

A imprensa nacional esteve posicionada desde as primeiras horas do dia em frente Ă  sede da PGR, aguardando a eventual saĂ­da de Bernardino Rafael. Equipas de reportagem permaneceram em alerta, com cĂąmaras viradas para todas as possĂ­veis vias de saĂ­da, na expectativa de obter imagens ou declaraçÔes do antigo comandante-geral. “A fĂ© do jornalista”, como descreveu um repĂłrter presente, alimentava a esperança de que ele pudesse sair pelo mesmo acesso alternativo e eventualmente pronunciar-se sobre os motivos da sua convocatĂłria.

A denĂșncia que motiva a presente audição acusa Bernardino Rafael de ter autorizado, ou pelo menos nĂŁo impedido, o uso de muniçÔes reais por agentes da PRM, resultando na morte de manifestantes durante protestos que eclodiram em vĂĄrias cidades do paĂ­s, contestando os resultados das eleiçÔes presienciais.

Outras figuras jå foram ouvidas no mesmo contexto, incluindo Venùncio Mondlane, o ex-candidato presidencial, que compareceu duas vezes à PGR e usou a entrada principal. Também foi mencionada a necessidade de ouvir o Director-Geral do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), e outros quadros seniores do sector da defesa e segurança.

O processo insere-se numa vaga de exigĂȘncia por maior responsabilização dos ĂłrgĂŁos de defesa e segurança em Moçambique, num momento em que sectores da sociedade civil clamam por justiça e transparĂȘncia nos actos do Estado.

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