Ataques em Mocímboa da Praia deixam 4 mortos

Pelo menos quatro pessoas perderam a vida e uma viatura foi incendiada em novos ataques armados em Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado. O administrador local, Sérgio Cipriano, confirmou que os agressores tinham alvos previamente identificados, aproximando-se das casas das vítimas e chamando-as pelos nomes.

Alvos identificados em ataques nocturnos

Segundo Sérgio Cipriano, os atacantes agiram com um plano cuidadosamente delineado, demonstrando conhecimento detalhado sobre quem pretendiam atingir. Dois dos quatro óbitos resultaram de decapitação e os outros dois de disparos de arma de fogo.

Uma das vítimas decapitadas era um professor natural da província de Nampula, o que evidencia que o alvo dos ataques não se limita apenas a residentes locais. Cipriano explicou que a prática de decapitação visava impedir gritos, permitindo que os agressores se movessem de forma silenciosa durante a noite, sem alertar vizinhos ou comunidades próximas.

Resposta das Forças de Defesa e do Contingente do Ruanda

Apesar da gravidade dos acontecimentos, o administrador assegurou que a situação de segurança permanece “normal”. As Forças de Defesa e Segurança, em coordenação com o contingente militar do Ruanda e as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), reagiram prontamente para repelir os insurgentes.

Durante a perseguição, foram encontrados vestígios de sangue no percurso de retirada dos atacantes, indício de que sofreram baixas. Ainda assim, o administrador reconhece que o desafio continua exigente, dado o carácter imprevisível dos ataques.

Impacto económico e risco para investidores

Os ataques recentes reforçam o ambiente de insegurança em Cabo Delgado, província assolada pela insurgência desde 2017. A violência tem causado deslocamentos populacionais e fortes prejuízos económicos, atingindo sobretudo sectores estratégicos como a agricultura, o comércio e os serviços.

Segundo Cipriano, a instabilidade está a retrair potenciais investidores, especialmente no sector bancário, considerado “muito sensível” a riscos de violência e instabilidade. A percepção de insegurança mina a confiança dos empresários, que temem perdas financeiras e incerteza no retorno dos seus investimentos.

Apelo ao fim da violência

O administrador de Mocímboa da Praia lançou um apelo veemente ao fim da violência, destacando que os ataques não só ceifam vidas humanas, como também fragilizam as condições para o desenvolvimento local e nacional.

“É urgente restaurar a paz para garantir que a economia volte a funcionar e que os cidadãos vivam em segurança”, afirmou Cipriano.

O apelo reforça a necessidade de cooperação entre autoridades locais, forças de defesa, parceiros internacionais e comunidades, com vista a restaurar a confiança e devolver a estabilidade a uma região estratégica para Moçambique.

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