ENQUANTO cumpria a sua pena por abuso sexual em 1995, Tupac Shakur (1971-1996) recebeu um apoio financeiro do magnata Suge Knight, fundador da editora Death Row, com vista a cobrir a fiança no valor de 1,4 milhão de dólares, o equivalente a mais de 90 milhões de meticais ao câmbio actual.
Em vez de cumprir os quatro anos determinados pelo juiz, o artista ficou apenas oito meses na prisão Attica Corretional Facility, em Nova Iorque. Para saldar o favor de Knight, o rapper assinou contrato com a Death Row para lançar três álbuns.
Tupac Shakur saiu da cadeia no dia 12 de Outubro de 1995 e foi directo ao estúdio em Los Angeles, Califórnia, e começou a gravar intensamente, sendo que parte significativa das composições foi feita por ele enquanto prisioneiro.
Deste trabalho intenso saiu o álbum “All Eyez On Me” (“Todos os olhos em mim”, traduzido do inglês), que reflecte o momento do rapper: recém-saído da prisão, baleado cinco vezes num atentado ocorrido no mesmo ano, factos que colocaram-no no centro das atenções dos “media” e da indústria.
O disco foi lançado a 13 de Fevereiro de 1996, faz hoje 30 anos, e tem uma certificação de diamante, sinónimo de que o álbum vendeu mais de 10 milhões de unidades. Saiu com participações de artistas como George Clinton, Dr. Dre, Snoop Dogg, Nate Dogg, Method Man e Redman.
É considerado um dos álbuns mais importantes da história do hip-hop e foi o primeiro disco duplo de rap lançado por um artista a solo, integrando 27 faixas que misturam vários temas, desde a violência urbana; lealdade e traição; fama e paranóia; e a rivalidade entre a Costa Leste e a Costa Oeste dos Estados Unidos.
Em “Life Goes On”, Tupac presta homenagem a amigos mortos em tenra idade, reflecte sobre a perda e continuidade da vida; em “Wonda Why They Call U” crítica comportamentos auto-destrutivos e falta de lealdade. No tema “All About U” lança crítica às mulheres interesseiras (“groupies”) e à superficialidade na indústria musical; e em “Califórnia Love” (com participação de Dr. Dre) revela o amor pelo Estado da Califórnia e celebra a cultura da Costa Oeste dos EUA.
Foi o último álbum lançado enquanto Tupac estava vivo (foi assassinado em Setembro de 1996, aos 25 anos). Por isso, tornou-se quase um “testamento artístico”.
“All Eyez on Me” é mais do que um álbum, é um marco na história do hip-hop. O seu sucesso comercial abriu caminho para outros artistas lançarem projectos extensos e ambiciosos, deu bases líricas a artistas sucessores como 50 Cent, J. Cole, Kendrick Lamar e The Game.
Na quarta-feira, a Recording Academy revelou o mais recente grupo de álbuns e músicas icónicas que serão incluídos no Grammy Hall of Fame. “All Eyez On Me” integra os nove discos seleccionados para a classe de 2026.






