Alemanha 10 Depois: Reflexos da migração e lições para África

Dez anos após a decisão de Angela Merkel de acolher milhares de refugiados, a Alemanha enfrenta desafios de integração e divisões sociais. Actualmente, cerca de 3,5 milhões de refugiados vivem no país, e o governo endureceu regras de asilo e reforçou controle de fronteiras. Consequentemente, busca equilibrar sua política migratória.

A decisão de Merkel em 2015 foi celebrada e criticada. Para especialistas africanos em migração, incluindo moçambicanos que seguem o tema, o caso alemão oferece lições sobre integração, burocracia e impactos sociais. Além disso, o país depende da imigração para suprir lacunas no mercado de trabalho.

A abertura de 2015 e seus Desafios

No Verão europeu de 2015, refugiados da Síria, Afeganistão e Iraque começaram a chegar em grande número. Merkel autorizou quase 480 mil pedidos de asilo naquele ano. Em vilarejos como Boostedt, com seis mil habitantes, dois mil refugiados chegaram, gerando preocupação e solidariedade entre a população local.

Hartwig, policial aposentado, afirma: “Queríamos ajudar, mas sentíamos que estava fora de controle”. Uma pesquisa recente mostra que quase 70% dos alemães desejam limitar a entrada de refugiados, marcando contraste com a recepção inicial.

Histórias de Integração

Alguns casos ilustram sucesso. A família Altabl, sírios que chegaram em 2015, hoje vive em Ulm. Nebal fala alemão fluentemente e trabalha como assistente de laboratório. O marido, Haitham, encontrou emprego em sapatos ortopédicos rapidamente. As filhas frequentam a universidade.

Entretanto, nem todos têm a mesma sorte. Kamiran Dawood, sírio em Cottbus, enfrenta barreiras no idioma e dificuldades para acessar emprego. Ele depende de apoio do governo e exemplifica os obstáculos enfrentados por refugiados de baixa qualificação.

Burocracia e Mercado de Trabalho

Especialistas afirmam que a maioria dos requerentes de asilo chega com qualificações baixas e sem fluência em alemão. Daniel, professor de Direito da Imigração, explica que o reconhecimento de diplomas estrangeiros é lento. Consequentemente, muitos acabam em funções de baixa qualificação, apesar de sectores do país precisarem urgentemente de mão-de-obra.

Após sete anos, mais de 60% dos refugiados de 2015 conseguiram algum trabalho. Entretanto, a Alemanha ainda carece de pelo menos 288 mil trabalhadores qualificados por ano. Sírios formam o maior grupo de médicos estrangeiros, com cerca de 6 mil profissionais.

Política e Discurso Público

Incidentes, como a noite de Ano Novo em Colónia (2015–2016), alimentaram a ascensão da ultra-direita. A AfD cresceu politicamente, explorando receios sobre imigração e segurança. Embora crimes cometidos por estrangeiros sejam estatisticamente minoritários, eventos isolados influenciam o discurso público.

Paralelamente, a xenofobia e o racismo aumentaram. Nadeem Manjouneh, assistente social e refugiado naturalizado, relata violência quotidiana e símbolos extremistas em Cottbus. Serviços de inteligência mostram aumento expressivo de extremistas de direita e crimes racistas desde 2015.

O papel do voluntariado e o futuro

Voluntários continuam sendo essenciais. Bernd, que ajudou a família Altabl, exemplifica como esforços civis fortalecem integração e segurança. A Alemanha precisa de soluções inteligentes para equilibrar acolhimento, segurança e economia.

O caso alemão ensina lições relevantes para países africanos, incluindo Moçambique, que enfrentam desafios migratórios internos e externos. O futuro da integração depende de vontade política, planeamento e participação da sociedade civil.

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