As fortes chuvas que fustigaram a cidade de Lichinga durante as três primeiras semanas de Janeiro deixaram um rasto de destruição e luto. Segundo uma reportagem da Televisão de Moçambique (TVM), o fenómeno meteorológico resultou na destruição total e parcial de mais de 1.750 casas, afectando um número igual de famílias, e causou a morte de duas pessoas.
O Cenário de Desolação e o Acolhimento de Emergência
A fúria das águas obrigou centenas de famílias a procurarem abrigo em condições precárias. Enquanto alguns moradores conseguiram acomodar-se em dependências anexas que resistiram à chuva, outros perderam tudo e tiveram de ser acolhidos por vizinhos ou familiares. Actualmente, 12 famílias encontram-se instaladas num centro de acomodação temporário localizado na zona da pista, no bairro Joaúá.
Os relatos dos sobreviventes são marcados pela perda e pelo desespero. Uma das cidadãs acolhidas no centro descreveu o momento da inundação: “Minha casa foi inundada, perdi alguns bens e por isso estou cá… minha casa caiu. Conseguimos recuperar pouca coisa, mas a maioria e materiais escolares de crianças foram com água”.
O Apelo por Novos Terrenos e Zonas Seguras
Perante a recorrência das cheias, as famílias desalojadas manifestaram uma vontade firme de não regressar às zonas de risco, localizadas próximo de leitos de rios. O pedido direccionado às autoridades municipais é claro: a atribuição de novos talhões em locais elevados e seguros.
“Nós gostaríamos que o município nos desse um lugar fora dali. Estamos a pedir ao município que desse talão, né… um terreno em um sítio bem elevado, longe do rio”, apelou uma das vozes femininas do centro de acomodação à equipa da TVM. Existe, contudo, uma preocupação social manifestada pelas equipas no terreno quanto à aceitação destas mudanças pelos maridos das vítimas, temendo-se que a mentalidade das famílias possa vacilar quando estes regressarem.
Resposta Humanitária e Logística
Apesar das perdas materiais, as famílias no centro de acomodação temporário afirmam estar a receber apoios diversos, incluindo assistência alimentar. No que toca às infraestruturas de suporte, a Electricidade de Moçambique (EDM), através da área de serviço ao cliente de Lichinga, interveio para garantir o acesso a bens essenciais.
No âmbito da sua responsabilidade social, a EDM instalou um alimentador de energia independente num furo de água disponibilizado pela empresa Águas da Região Norte. Esta medida visa assegurar que não falte água potável para alimentar o centro de acomodação durante o período de emergência.
A reportagem, assinada pelos jornalistas Felipe Germano e Hélder da Conceição, sublinha a urgência de uma solução habitacional definitiva para estas famílias que, ano após ano, veem os seus parcos haveres serem levados pela força das enxurradas.





