Morre aos 25 anos Rosita Mabuiango, ícone da resiliência nas cheias de 2000

Rosita Mabuiango, conhecida nacional e internacionalmente por ter nascido no topo de uma árvore durante as cheias devastadoras de Março de 2000, faleceu na madrugada desta segunda-feira, vítima de anemia, no Hospital Rural de Chibuto, segundo informações familiares e hospitalares citadas pela TV Miramar na sua página oficial do Facebook.

Rosita nasceu a 1 de Março de 2000 no distrito de Chibuto, numa situação de extrema adversidade: a sua mãe, Carolina Chirindza, havia passado vários dias refugiada no topo de uma mafurreira, cercada pelas águas que inundaram vastas áreas do sul do país durante uma das piores enchentes registadas na história recente de Moçambique.

As imagens do bebé recém-nascido, ainda nos ramos da árvore, sendo resgatada por uma equipa de salvamento aéreo tornaram-se um dos momentos mais simbólicos daquela catástrofe, trazendo atenção global para a emergência e ajudando a angariar fundos para milhares de afectados.

Rosita foi vista ao longo dos anos como um símbolo de esperança, sobrevivência e determinação em tempos de crise, e a sua história inspirou olhares dentro e fora de Moçambique para o impacto humanitário das cheias e para a necessidade de medidas de prevenção e apoio às comunidades vulneráveis.

Nos últimos anos, a jovem lutava contra complicações de saúde ligadas à anemia e esteve internada durante vários dias antes de sucumbir à doença. A notícia da sua morte reacende memórias de um dos episódios mais marcantes de solidariedade e resiliência colectiva em Moçambique.

Contexto histórico das cheias de 2000
As enchentes de Fevereiro e Março de 2000 foram provocadas por chuvas intensas associadas ao ciclone Leon-Eline, que causaram inundações em grande parte das províncias do sul do país. Aproximadamente 700 a 800 pessoas morreram, milhares ficaram desabrigadas e vastas áreas agrícolas foram destruídas, marcando o país com uma das piores calamidades naturais das últimas décadas.

Rosita Mabuiango, mesmo após a atenção inicial mediática, viveu uma vida relativamente discreta, mas a sua história permaneceu na memória colectiva dos moçambicanos como um exemplo de força e de superação diante das adversidades naturais.

Fonte: TV Miramar (página oficial no Facebook) e agências internacionais de notícias.

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