A Federação de Desenvolvimento Empresarial de Moçambique (FDEM) lançou um alerta sobre a urgência no controlo da dívida pública, considerada um dos principais obstáculos para o crescimento económico do país. Lineu Candieiro, presidente da FDEM, afirmou que apesar dos avanços na retoma económica, a elevada dívida herdada ainda compromete as finanças do Estado e dificulta a atracção de investimento estrangeiro. Candieiro destacou também que, embora 2025 seja o ano de “lançar a semente”, os benefícios reais para a população só deverão ser sentidos a partir de 2027, caso o governo mantenha as reformas e gestão rigorosa das finanças públicas.
O presidente da FDEM reconheceu que o país chegou a 2025 num momento conturbado, marcado por manifestações e uma crise económica que impactou severamente os negócios. “Moçambique enfrenta um custo de vida elevado e uma dívida pública que limita o espaço fiscal do Governo”, explicou Candieiro. Para ele, o equilíbrio entre a retomada do crescimento e a sustentabilidade das contas públicas é fundamental para evitar que o país volte a entrar em crise.
Candieiro salientou ainda que a estratégia do governo para atrair investimento estrangeiro tem sido um dos pontos positivos recentes. As visitas do Presidente da República a vários países abriram portas para investidores, gerando um novo ambiente de confiança empresarial. “O dinheiro tem que vir de fora, não há como Moçambique crescer isolado”, afirmou com firmeza.
Entre as reformas elogiadas pela FDEM estão a implementação do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) e os avanços no sector do gás natural liquefeito (GNL). A inauguração do gás da SASOL, que reduz em 70% as importações energéticas, é vista como um passo estratégico para aliviar a pressão sobre as reservas cambiais. Além disso, os acordos firmados com gigantes do sector, como ENI, ExxonMobil e Total, indicam negociações inteligentes que trazem mais retorno para o país e mais oportunidades para as pequenas e médias empresas locais.
Apesar desses progressos, Candieiro deixou claro que “sem um controlo rigoroso da dívida pública, esses avanços podem ser comprometidos”. Ele alerta que a falta de disciplina financeira pode atrasar ou mesmo anular os ganhos esperados com os investimentos e reformas.
O presidente da FDEM conclui que o ano de 2025 é o “ano da germinação” — um período para lançar as bases do crescimento futuro, mas sem ilusões sobre ganhos imediatos. “Quem pensar que vamos colher já está enganado. Os frutos só começarão a aparecer em 2027, quando o moçambicano finalmente sentirá os benefícios e participará activamente do crescimento económico”, afirmou.
Este alerta da FDEM é um chamado claro para que o governo, empresários e sociedade civil mantenham o foco nas reformas, no controlo da dívida e na atracção de investimentos externos. A recuperação económica é possível, mas depende de decisões rápidas e firmes para garantir que Moçambique não repita erros do passado e construa um futuro sustentável para todos.





