O Movimento Laudato sì Círculo de Nampula, norte de Moçambique, defende uma transição energética justa e o abandono progressivo dos combustíveis fósseis, face ao agravamento da crise climática e aos seus impactos sobre as populações mais vulneráveis. No programa Laudato sì da Rádio Encontro desta quinta-feira (22/10), membros do Movimento alertaram para a necessidade de um tratado internacional que limite a expansão da exploração de carvão, petróleo e gás natural.
Cremildo Alexandre – Nampula, Moçambique
O agravamento das mudanças climáticas e a dependência mundial dos combustíveis fósseis colocam novos desafios à proteção da vida humana e do meio ambiente. Em Moçambique, a exposição a secas, enchentes e inundações reforça o debate sobre a necessidade de uma transição energética justa e sustentável.
O tema esteve em destaque no programa radiofónico “Laudato sim”, que reuniu representantes do Movimento para reflectir sobre a proposta de um Tratado de Não-Proliferação de Combustíveis Fósseis e a resposta da Igreja à crise ecológica, e os membros do Movimento apelaram à Igreja e aos governantes a assumirem maior compromisso com o cuidado da criação e a justiça climática.
Fortalecer medidas de prevenção e reduzir as causas do aquecimento global
Durante a conversa, Elton José, membro do movimento, chamou a atenção para os riscos climáticos que ameaçam diferentes regiões do país, apontando a necessidade de reforçar as medidas de prevenção e de reduzir as causas do aquecimento global.
O animador considera que a dependência do carvão, do petróleo e do gás natural exige uma resposta internacional coordenada, uma vez que as iniciativas climáticas existentes ainda enfrentam dificuldades para travar a expansão da produção destes recursos.
Elton José, membro do Movimento Laudato sì
Ausência de mecanismos internacionais suficientemente abrangentes
Na sua análise, o tratado surge como uma proposta para responder à ausência de mecanismos internacionais suficientemente abrangentes sobre a produção de combustíveis fósseis.
A iniciativa baseia-se em três objetivos fundamentais: impedir a expansão de novos projetos de exploração, promover a eliminação progressiva e justa da produção existente e garantir uma transição energética que proteja os trabalhadores e as comunidades dependentes desse setor.
A proposta defende igualmente mecanismos de cooperação internacional, financiamento e protecção social, para evitar que o abandono dos combustíveis fósseis agrave as desigualdades entre países e populações.
No contexto moçambicano, a discussão ganha particular relevância devido à exploração de recursos naturais, sobretudo o gás natural e o carvão, e ao desafio de conciliar o desenvolvimento económico com a protecção ambiental e os compromissos climáticos.
Sobre esta realidade, o missionário comboniano, Padre Massimo Robool, responsável pelo Círculo Laudato simconsidera necessário que as autoridades nacionais reforcem a responsabilidade ambiental nas decisões sobre os recursos naturais.

Padre Massimo Robool, Missionário Comboniano, responsa2vel pelo Círculo Laudato sì em Nampula
Riscos de colocar interesses económicos acima da qualidade de vida das populações
O sacerdote alerta para os riscos de colocar os interesses económicos acima da qualidade de vida das populações e da preservação da natureza, defendendo maior compromisso político com o bem comum.
Luz encíclica Laudato simdo Papa Francisco, a crise ecológica não pode ser separada da crise social, uma vez que os efeitos da degradação ambiental atingem mais severamente as populações pobres e vulneráveis.
Neste sentido, os participantes defendem que a resposta à crise climática não deve limitar-se à substituição dos combustíveis fósseis por energias renováveis, devendo igualmente questionar os modelos de produção, o consumo excessivo e a concentração dos recursos energéticos.
O Movimento Laudato sim apela ao envolvimento de governos, comunidades religiosas e sociedade civil na construção de soluções concretas para proteger a casa comum, ouvindo o clamor da terra e o clamor dos pobres.
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O Movimento Laudato sì Círculo de Nampula, norte de Moçambique, defende uma transição energética justa e o abandono progressivo dos combustíveis fósseis, face ao agravamento da crise climática e aos seus impactos sobre as populações mais vulneráveis. No programa Laudato sì da Rádio Encontro desta quinta-feira (22/10), membros do Movimento alertaram para a necessidade de um tratado internacional que limite a expansão da exploração de carvão, petróleo e gás natural.
Cremildo Alexandre – Nampula, Moçambique
O agravamento das mudanças climáticas e a dependência mundial dos combustíveis fósseis colocam novos desafios à proteção da vida humana e do meio ambiente. Em Moçambique, a exposição a secas, enchentes e inundações reforça o debate sobre a necessidade de uma transição energética justa e sustentável.
O tema esteve em destaque no programa radiofónico “Laudato sim”, que reuniu representantes do Movimento para reflectir sobre a proposta de um Tratado de Não-Proliferação de Combustíveis Fósseis e a resposta da Igreja à crise ecológica, e os membros do Movimento apelaram à Igreja e aos governantes a assumirem maior compromisso com o cuidado da criação e a justiça climática.
Fortalecer medidas de prevenção e reduzir as causas do aquecimento global
Durante a conversa, Elton José, membro do movimento, chamou a atenção para os riscos climáticos que ameaçam diferentes regiões do país, apontando a necessidade de reforçar as medidas de prevenção e de reduzir as causas do aquecimento global.
O animador considera que a dependência do carvão, do petróleo e do gás natural exige uma resposta internacional coordenada, uma vez que as iniciativas climáticas existentes ainda enfrentam dificuldades para travar a expansão da produção destes recursos.
Elton José, membro do Movimento Laudato sì
Ausência de mecanismos internacionais suficientemente abrangentes
Na sua análise, o tratado surge como uma proposta para responder à ausência de mecanismos internacionais suficientemente abrangentes sobre a produção de combustíveis fósseis.
A iniciativa baseia-se em três objetivos fundamentais: impedir a expansão de novos projetos de exploração, promover a eliminação progressiva e justa da produção existente e garantir uma transição energética que proteja os trabalhadores e as comunidades dependentes desse setor.
A proposta defende igualmente mecanismos de cooperação internacional, financiamento e protecção social, para evitar que o abandono dos combustíveis fósseis agrave as desigualdades entre países e populações.
No contexto moçambicano, a discussão ganha particular relevância devido à exploração de recursos naturais, sobretudo o gás natural e o carvão, e ao desafio de conciliar o desenvolvimento económico com a protecção ambiental e os compromissos climáticos.
Sobre esta realidade, o missionário comboniano, Padre Massimo Robool, responsável pelo Círculo Laudato simconsidera necessário que as autoridades nacionais reforcem a responsabilidade ambiental nas decisões sobre os recursos naturais.

Padre Massimo Robool, Missionário Comboniano, responsa2vel pelo Círculo Laudato sì em Nampula
Riscos de colocar interesses económicos acima da qualidade de vida das populações
O sacerdote alerta para os riscos de colocar os interesses económicos acima da qualidade de vida das populações e da preservação da natureza, defendendo maior compromisso político com o bem comum.
Luz encíclica Laudato simdo Papa Francisco, a crise ecológica não pode ser separada da crise social, uma vez que os efeitos da degradação ambiental atingem mais severamente as populações pobres e vulneráveis.
Neste sentido, os participantes defendem que a resposta à crise climática não deve limitar-se à substituição dos combustíveis fósseis por energias renováveis, devendo igualmente questionar os modelos de produção, o consumo excessivo e a concentração dos recursos energéticos.
O Movimento Laudato sim apela ao envolvimento de governos, comunidades religiosas e sociedade civil na construção de soluções concretas para proteger a casa comum, ouvindo o clamor da terra e o clamor dos pobres.
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