Quinta-feira, 8 de Outubro de 2026

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Opinião

UNITA Denuncia «intenção clara de atentado» contra Adalberto Costa Júnior no Uíge e aponta crise de confiança no Estado

Em entrevista exclusiva, o Secretário-Geral do maior partido da oposição angolana, Liberty Chiyaka, revela detalhes sobre os bloqueios governamentais na província do Uíge, rejeita intimidações e anuncia a realização da reunião do Comité Permanente da agremiação no local dos incidentes.

Por Redacção Política Uíge / Luanda

A direcção da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) acusou formalmente as autoridades provinciais do Uíge e os órgãos de segurança do Estado de articularem manobras de coerção que configuram uma «intenção clara de se atentar contra a vida» do presidente do partido, Adalberto Costa Júnior. A denúncia foi formulada pelo Secretário-Geral da organização política, Liberty Chiyaka, durante uma entrevista concedida ao programa «MAMBO XTRANHO», conduzido pelo jornalista Carlos Alberto.

De acordo com o dirigente da oposição, os incidentes ocorreram na sequência da preparação de um grande acto político presidio por Adalberto Costa Júnior na cidade do Uíge. A direcção provincial da UNITA havia solicitado atempadamente a cedência de dois espaços públicos — um principal, situado no largo defronte às instalações da Rádio Nacional no Uíge, e um alternativo —, locais onde o partido já realizara mobilizações anteriores sem sobressaltos. Contudo, o Governo Provincial indeferiu ambos os pedidos e decidiu impor, de forma unilateral, um local insalubre e nunca antes cedido para eventos políticos.

«Como é que eu vou permitir, a bem da saúde dos membros da UNITA, da direcção da UNITA, levar os membros para aquele local sujo? Não podia aceitar. Eu disse ao governador, que esteve lá naquela manhã, que não podia aceitar», declarou expressamente Liberty Chiyaka, fundamentando a recusa na necessidade de proteger a integridade física e sanitária de uma moldura humana estimada entre 50.000 e 100.000 pessoas.

Tensão Institucional e Impedimentos no Terreno

Ao verificar as péssimas condições de limpeza e o acúmulo de resíduos no espaço imposto pelas autoridades locais, o Secretário-Geral da UNITA, na qualidade de organizador principal da jornada, deliberou transferir a realização da actividade para a zona contígua à sede provincial do partido. A decisão, contudo, enfrentou forte oposição do aparato governamental.

Consoante o relato de Chiyaka, as forças de segurança e a administração local desencadearam acções de bloqueio nas vias de acesso, desviando viaturas que transportavam militantes vindos dos municípios do interior da província e dispersando populares que se concentravam nas imediações da sede. O dirigente contrapôs a conduta do Governo com o enquadramento constitucional angolano, sublinhando que as limitações ao direito de reunião apenas se justificam em circunstâncias excepcionais — como a salvaguarda do regular funcionamento dos tribunais —, cenário que não se aplicava a um sábado.

«Porquê obrigar um partido político a fazer a sua actividade num espaço com o qual não concorda? O Governo não tem esse direito nem esse poder. Compete ao Governo criar condições de segurança, mais nada», vincou o Secretário-Geral, acrescentando que a insistência em empurrar a oposição para um local suspeito e não verificado alimentou receios legítimos sobre a segurança física da liderança do partido.

A Crise de Confiança e o Episódio da Entrevista

A entrevista ficou igualmente marcada por um momento de reflexão sobre o clima de desconfiança generalizada que atravessa a sociedade angolana. Confrontado pelo entrevistador sobre os alertas lançados por internautas nas redes sociais — que aconselhavam o líder partidário a não consumir água nem aceitar alimentos durante a emissão devido às alegadas ligações passadas do jornalista aos Serviços de Informação e Segurança do Estado (SIN) —, Chiyaka fez questão de beber a água oferecida no estúdio, desmistificando o receio de um eventual envenenamento.

O Secretário-Geral explicou que esteve presente no programa com a plena concordância e incentivo do Presidente da UNITA e da direcção central, aproveitando o episódio para diagnosticar o estado das instituições públicas.

«Os angolanos, enquanto cidadãos, não têm confiança no Estado. Os angolanos não têm confiança nas instituições do Estado. Os políticos, estejam eles no poder ou na oposição, não fazem confiança nas pessoas», frisou Liberty Chiyaka, defendendo a urgência de refundar as relações entre o poder político, as forças de segurança e a cidadania.

O dirigente acrescentou que a actuação histórica de determinados agentes dos serviços de inteligência contribuiu para o estigma que associa estes órgãos à perseguição de adversários políticos, exortando a uma profunda mudança de paradigma num Estado democrático de direito.

Resposta Política: Reunião do Comité Permanente no Uíge

Como demonstração de coesão interna e de recusa a qualquer tentativa de intimidação, a UNITA confirmou que vai realizar a sua 4.ª Reunião Ordinária do Comité Permanente da Comissão Política precisamente na cidade do Uíge, agendada para a próxima sexta-feira. O encontro terá lugar nas instalações da sede provincial do partido.

Liberty Chiyaka assegurou que o partido regista um «crescimento robusto» e que o balanço da sua acção política é amplamente positivo, reiterando o compromisso com a população local e com o processo democrático.

«A UNITA está de saúde, a UNITA está coesa, a UNITA está unida. A UNITA não se deixa intimidar em parte alguma de Angola. As populações do Uíge devem saber que a UNITA está profundamente comprometida com a consolidação do Estado de Direito», rematou o dirigente.

Os episódios ocorridos no Uíge recolocam no centro do debate político angolano as garantias do exercício da oposição, a liberdade de reunião e o papel das forças de segurança em períodos de pré-mobilização eleitoral e partidária. A denúncia de manobras de intimidação agrava a crispação entre o principal partido da oposição e o executivo central, enquanto a sociedade civil e os observadores políticos aguardam esclarecimentos por parte do Governo Provincial do Uíge e do Ministério da Administração do Território sobre os impedimentos impostos às acções públicas da UNITA.

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