Segunda-feira, 5 de Outubro de 2026

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Moçambique. Encontro Inter-religioso, em Nampula, marca…

Moçambique. Encontro Inter-religioso, em Nampula, marca...


A paz em Moçambique precisa de ser vivida para além dos acordos e das declarações, através da justiça, diálogo, fraternidade e respeito pela dignidade humana. A posição foi defendida este domingo, 4 de outubro, em Nampula, por líderes religiosos de diferentes confissões, durante um encontro inter-religioso que marcou os 34 anos da assinatura do Acordo Geral de Paz.

Cremildo Alexandre – Nampula, Moçambique

A paz é possível quando as pessoas conseguem viver como irmãos e dialogar, apesar das suas diferenças.

Essa foi uma das principais mensagens deixadas durante um encontro inter-religioso realizado em Nampula, no âmbito dos 34 anos da assinatura do Acordo Geral de Paz de Moçambique, celebrado em 4 de outubro de 1992.

O encontro reuniu representantes de diferentes denominações religiosas para refletir sobre os caminhos para uma paz efetiva e duradoura no país.

O Sheik Molde Sefo, do Conselho Islâmico de Moçambique, defendeu que a paz não pode limitar-se a acordos, declarações ou discursos, devendo transformar-se numa prática diária.

Inspirando-se na tradição islâmica e no exemplo do profeta Muhammad, o líder religioso destacou a necessidade de espalhar a paz, ajudar os mais necessitados, fortalecer os laços de parentesco e manter uma relação sincera com Deus.

O líder islâmico defendeu ainda que a paz passa pela criação de oportunidades para os jovens, sobretudo através do emprego, considerando que proporcionar condições para uma vida digna é também uma forma concreta de construir a paz.

Na mesma linha, o padre Massimo Robool, presidente da Comissão Arquidiocesana de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso e responsável do movimento Laudato Si em Nampula , relacionou a paz com a conversão interior e o cuidado da criação.

O sacerdote alertou que os conflitos, a violência, a injustiça e a degradação ambiental estão ligados a uma crise ética e cultural que exige mudança no coração das pessoas.

Para o padre Massimo, a verdade, o diálogo, a fraternidade, a justiça, a misericórdia e o amor são instrumentos mais eficazes para construir a paz do que as armas.

Já o padre Salvador Bernardo, em representação da Igreja Católica, afirmou que a paz deve começar nas relações do dia-a-dia, desde a família e a comunidade até à igreja, mesquita, escola, bairro e locais de trabalho.

O padre ressaltou que reconhecer no outro um irmão, mesmo quando há diferenças de religião, cultura ou opinião, é fundamental para construir uma sociedade pacífica.

O padre Bernardo Salvador defendeu ainda que o diálogo não significa necessariamente pensar da mesma maneira, mas saber escutar, respeitar e procurar compreender o outro.

Citando um apelo frequentemente associado ao Papa Francisco, o sacerdote afirmou que as comunidades religiosas devem ser construtoras de pontes e não de muros, trabalhando em conjunto pelo bem comum.

Mas para alguns fiéis católicos presentes no encontro, os 34 anos do Acordo Geral de Paz não significam que Moçambique viva ainda uma paz plena.

A corrupção, a falta de justiça, a criminalidade e a violência terrorista em Cabo Delgado são apontadas como fatores que continuam a afetar a vida dos moçambicanos.

Os depoimentos defendem que a paz também deve significar justiça, segurança, respeito aos direitos dos cidadãos e condições para que as famílias possam viver sem medo.

A preocupação com a violência foi igualmente levantada por Américo Sardinha, responsável da Comunidade de Santo Egídio em Nampula, que lembrou os conflitos que continuam a causar sofrimento no mundo e no norte de Moçambique.

Para Sardinha, os religiosos têm um papel importante na construção da paz, através do desarmamento da linguagem, dos corações e do ódio.

O responsável da Santo Egídio defendeu uma paz “desarmada e desarmante”, baseada no diálogo e na negociação, apelando para que a guerra não seja vista como um caminho inevitável.

No encontro, as diferentes denominações religiosas convergiram na necessidade de transformar a paz em responsabilidade de todos, com particular atenção aos jovens, à justiça social, à fraternidade e ao respeito à dignidade humana.

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A paz em Moçambique precisa de ser vivida para além dos acordos e das declarações, através da justiça, diálogo, fraternidade e respeito pela dignidade humana. A posição foi defendida este domingo, 4 de outubro, em Nampula, por líderes religiosos de diferentes confissões, durante um encontro inter-religioso que marcou os 34 anos da assinatura do Acordo Geral de Paz.

Cremildo Alexandre – Nampula, Moçambique

A paz é possível quando as pessoas conseguem viver como irmãos e dialogar, apesar das suas diferenças.

Essa foi uma das principais mensagens deixadas durante um encontro inter-religioso realizado em Nampula, no âmbito dos 34 anos da assinatura do Acordo Geral de Paz de Moçambique, celebrado em 4 de outubro de 1992.

O encontro reuniu representantes de diferentes denominações religiosas para refletir sobre os caminhos para uma paz efetiva e duradoura no país.

O Sheik Molde Sefo, do Conselho Islâmico de Moçambique, defendeu que a paz não pode limitar-se a acordos, declarações ou discursos, devendo transformar-se numa prática diária.

Inspirando-se na tradição islâmica e no exemplo do profeta Muhammad, o líder religioso destacou a necessidade de espalhar a paz, ajudar os mais necessitados, fortalecer os laços de parentesco e manter uma relação sincera com Deus.

O líder islâmico defendeu ainda que a paz passa pela criação de oportunidades para os jovens, sobretudo através do emprego, considerando que proporcionar condições para uma vida digna é também uma forma concreta de construir a paz.

Na mesma linha, o padre Massimo Robool, presidente da Comissão Arquidiocesana de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso e responsável do movimento Laudato Si em Nampula , relacionou a paz com a conversão interior e o cuidado da criação.

O sacerdote alertou que os conflitos, a violência, a injustiça e a degradação ambiental estão ligados a uma crise ética e cultural que exige mudança no coração das pessoas.

Para o padre Massimo, a verdade, o diálogo, a fraternidade, a justiça, a misericórdia e o amor são instrumentos mais eficazes para construir a paz do que as armas.

Já o padre Salvador Bernardo, em representação da Igreja Católica, afirmou que a paz deve começar nas relações do dia-a-dia, desde a família e a comunidade até à igreja, mesquita, escola, bairro e locais de trabalho.

O padre ressaltou que reconhecer no outro um irmão, mesmo quando há diferenças de religião, cultura ou opinião, é fundamental para construir uma sociedade pacífica.

O padre Bernardo Salvador defendeu ainda que o diálogo não significa necessariamente pensar da mesma maneira, mas saber escutar, respeitar e procurar compreender o outro.

Citando um apelo frequentemente associado ao Papa Francisco, o sacerdote afirmou que as comunidades religiosas devem ser construtoras de pontes e não de muros, trabalhando em conjunto pelo bem comum.

Mas para alguns fiéis católicos presentes no encontro, os 34 anos do Acordo Geral de Paz não significam que Moçambique viva ainda uma paz plena.

A corrupção, a falta de justiça, a criminalidade e a violência terrorista em Cabo Delgado são apontadas como fatores que continuam a afetar a vida dos moçambicanos.

Os depoimentos defendem que a paz também deve significar justiça, segurança, respeito aos direitos dos cidadãos e condições para que as famílias possam viver sem medo.

A preocupação com a violência foi igualmente levantada por Américo Sardinha, responsável da Comunidade de Santo Egídio em Nampula, que lembrou os conflitos que continuam a causar sofrimento no mundo e no norte de Moçambique.

Para Sardinha, os religiosos têm um papel importante na construção da paz, através do desarmamento da linguagem, dos corações e do ódio.

O responsável da Santo Egídio defendeu uma paz “desarmada e desarmante”, baseada no diálogo e na negociação, apelando para que a guerra não seja vista como um caminho inevitável.

No encontro, as diferentes denominações religiosas convergiram na necessidade de transformar a paz em responsabilidade de todos, com particular atenção aos jovens, à justiça social, à fraternidade e ao respeito à dignidade humana.

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