Moradores dos bairros Nkobe e Matlemele bloquearam a via e interromperam as obras da estrada que liga a Circular de Maputo à Matibjana, em protesto contra a falta de sistemas de drenagem. Segundo os residentes, a construção está a avançar sem valas e sem tubagem capaz de garantir o escoamento da água, deixando dezenas de casas novamente submersas.
Os munícipes afirmam não contestar a estrada, mas sim a ausência de condições mínimas para evitar as enchentes. “Estamos há anos a viver esta situação. O que pedimos é simples: que façam valas e coloquem tubos para a água escoar”, declarou um morador visivelmente exausto.
Para muitos residentes, o problema ultrapassa a água. Há quem relate falta de alimentação, energia e apoio institucional. “Estamos mal. Não há nada”, lamentou outro munícipe.
Munícipes Acusam Falta de Resposta do Município
A população aponta o dedo ao município, acusando-o de multiplicar reuniões sem apresentar soluções concretas. “Chamam reuniões atrás de reuniões, mas a solução nunca chega”, dizem.
O sentimento de abandono é generalizado. Um dos moradores foi directo:
“Nós praticamente não temos pai. Se tivéssemos um pai, ele iria prover. Não temos nenhum.”
Os residentes também contestam a “bacia de retenção” apresentada como solução técnica. Afirmam que a estrutura já está cheia mesmo antes da conclusão da estrada, o que, segundo eles, prova que o projecto foi mal dimensionado. “Se já está cheia agora, imagine quando a estrada estiver concluída”, alertam.
Apontaram ainda locais onde a drenagem poderia ser desviada, incluindo zonas identificadas como “um beluz” e “borre”, mas alegam que o município nunca actuou nesses pontos.
Empreiteiro Evita Prestar Esclarecimentos
A equipa de reportagem tentou ouvir o empreiteiro responsável pela obra, mas este retirou-se do local ao aperceber-se da presença da imprensa.
Sem alternativas, os moradores pedem intervenção urgente das autoridades competentes:
“Estamos a pedir ajuda a quem de direito para resolver esta situação.”
A tensão em Nkobe e Matlemele volta a expor um problema recorrente nos projectos públicos: estradas avançam, mas a drenagem fica para depois, e quem paga a factura são sempre os mesmos moradores.



