O cenário político moçambicano anda tão previsível que até dá para adivinhar o drama antes que ele aconteça. A FRELIMO continua no volante sem grande pressa de largar as chaves. A RENAMO afunda-se em brigas internas que fariam corar qualquer associação de bairro. O PODEMOS tenta convencer o país de que é alternativa enquanto ainda procura provar que existe para além de slogans. E o MDM… bom, o MDM está numa espécie de coma político, respirando por aparelhos que já ninguém verifica.
A FRELIMO segue como sempre: dominante, estruturada, impenetrável. Tem máquina, tem estratégia, tem disciplina. Pode ser tudo o que quiserem acusar, mas sabe existir politicamente. Marca presença em cada esquina, reage, controla, dita ritmo. Quem quer competir com ela tem de fazer muito barulho, apresentar ideias, ganhar terreno. Mas os seus adversários andam ocupados com tudo, menos política a sério.
Do outro lado, a RENAMO está mais preocupada em batalhas internas do que em disputar o país. Em vez de se consolidar como alternativa, virou palco de confrontos dignos de novela barata. É tanta divisão, tanto grupo dentro de grupo, tanta disputa por cadeiras e símbolos que até quem tenta acompanhar se perde no enredo. Um partido que deveria ser oposição funcional transformou-se no seu maior inimigo.
O PODEMOS, recém-chegado ao ringue, tenta chamar atenção. Tem carisma de alguns rostos e discurso ensaiado. Mas ainda vive de expectativa, não de impacto real. O país observa, mas não sente a força. Falta estrutura, falta enraizamento, falta provar que não é só um partido construído na vitrine. Política não vive de aparências; vive de músculo no terreno, resiliência e coerência. O PODEMOS ainda está a caminho de descobrir isso.
E no meio de tudo isto, o MDM… basicamente evaporou-se. Tornou-se tão silencioso que parece que o partido existe apenas no registo oficial. Não disputa espaço, não apresenta propostas, não se posiciona. Numa arena onde até a ausência vira vergonha, o MDM escolheu subtrair-se. E assim, perdeu relevância, perdeu voz, perdeu público.
Resultado: Moçambique vive uma espécie de desequilíbrio crónico. Uma FRELIMO que reina à vontade, uma RENAMO colapsada nas suas próprias sombras, um PODEMOS ainda a testar as botas políticas e um MDM que desistiu do jogo antes do apito final.
O país merecia partidos mais sérios, mais presentes, mais combativos. Merecia oposição que realmente fosse oposição. Merecia alternativas que se comportassem como alternativas. Em vez disso, tem uma hegemonia confortável, uma crise existencial, uma promessa tímida e um desaparecimento quase total.
Numa democracia, isto não é normal. Nem saudável. Mas é o que temos, porque os que deviam agitar o sistema andam ocupados demais com guerras internas, timidez política ou silêncio estratégico que mais parece desistência.


