Professores de Milange exigem diálogo, pagamentos atrasados e reformas na gestão escolar

Zambézia — A visita do Ministro da Função Pública ao distrito de Milange foi marcada por um encontro carregado de reivindicações. A Associação Nacional dos Professores (ANAPRO), através do seu Secretariado Distrital, apresentou um documento com seis pontos que expõem as principais preocupações do sector da educação, destacando a falta de diálogo, atrasos salariais, má assistência médica e desigualdade na atribuição de subsídios.

Na abertura da reunião, o secretário distrital da ANAPRO, Alex Alzira Cumbe, cobrou o cumprimento da promessa de diálogo feita pelo Ministério da Administração e Função Pública no passado dia 2 de Setembro. “Queremos saber da data prevista para o início do diálogo prometido aos sindicatos da Função Pública”, disse o dirigente, lembrando que as expectativas continuam em aberto.

Entre as principais questões, a ANAPRO chamou atenção para a situação dos professores formados no modelo 10ª+1, que continuam sem contractos. A associação sugere a abertura de um concurso público específico para integrar estes profissionais, com posterior capacitação. “Estes professores merecem uma oportunidade de servir o país, com formação adicional se necessário”, defende o documento.

Outro ponto crítico foi a assistência médica e medicamentosa. Segundo a ANAPRO, “os professores continuam a descontar mensalmente, mas não beneficiam dos serviços”, sendo obrigados a recorrer a dívidas ou doações em caso de doença. A associação propõe a terceirização dos serviços para seguradoras que garantam planos de saúde e subsídios funerários dignos.

A reunião também abordou a questão das horas extraordinárias e dívidas salariais. “Temos professores com seis meses de salários em atraso desde 2022”, denunciou Cumbe, referindo-se a promessas não cumpridas de regularização dentro dos primeiros 100 dias de governação. A ANAPRO classificou a situação como “desrespeitosa e desumana”.

Por fim, a associação defendeu reformas democráticas na eleição de directores e adjuntos pedagógicos, propondo que os membros de direção sejam escolhidos pelos próprios professores. “A eleição tornaria as escolas mais participativas e combateria a corrupção”, concluiu a nota.

O encontro terminou sob o lema “Juntos na luta pela dignidade, valorização do professor e pela qualidade do ensino”, reforçando a disposição dos professores de Milange em continuar a exigir respeito e transparência do Estado.

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