O peso do passado: Por que ser “antigo” já não é sinal de força no mercado moçambicano

Por Redacção Hora Certa News

Durante décadas, muitas empresas moçambicanas sustentaram o orgulho de “serem antigas”. É comum ouvir-se gestores a dizerem com ar triunfante: “estamos no mercado há mais de 30 anos. O problema é que o tempo de existência, por si só, já não é sinónimo de força — é apenas um número. O mundo mudou, e quem continua a medir poder pelo calendário, corre o risco de ser engolido por quem entende o valor da inovação, da velocidade e da adaptação.

O mito da antiguidade como mérito

Em tempos, ser uma empresa “antiga” significava solidez. Hoje, significa apenas que sobreviveu — não necessariamente que cresceu. No mercado actual, a longevidade sem modernização é quase um luxo suicida. É o caso de várias empresas moçambicanas que, confortadas pela história, deixaram de ouvir o que o mercado exige: digitalização, serviço rápido, comunicação moderna e produtos com identidade renovada.

Enquanto isso, marcas jovens e ágeis — com equipas pequenas, mas mentes abertas — estão a conquistar consumidores através de redes sociais, marketing digital e atendimento personalizado.

Quando a tradição se torna teimosia

Há empresas que tratam a inovação como ameaça. Investir em tecnologia, em novos métodos de gestão ou em plataformas online é visto como “perda de tempo” ou “luxo para estrangeiros”. O resultado é previsível: estagnação.

Basta observar o contraste entre o que foi o Kwai, um aplicativo pioneiro em vídeos curtos, e o que se tornou o TikTok, um fenómeno mundial. O Kwai tinha a ideia, mas faltou-lhe coragem para investir em algoritmo, design e marketing global. O TikTok nasceu depois, aprendeu com os erros dos outros e reinventou o formato. O resto é história: enquanto um desapareceu, o outro virou um império.

Em Moçambique, o mesmo padrão repete-se. Empresas com décadas de existência ainda não têm presença digital consistente, não investem em formação tecnológica e continuam a acreditar que o nome antigo é suficiente para segurar clientes. É um erro fatal num mundo em que a atenção do consumidor dura segundos e a concorrência se reinventa todos os dias.

O novo é o que vende

O mercado global não compra idade — compra relevância. Inovação não é capricho; é estratégia de sobrevivência. Um restaurante que continua a servir bem, mas ignora as plataformas de delivery, perde clientes. Um jornal que insiste apenas na edição impressa morre lentamente. Uma marca que não fala a linguagem do público jovem torna-se invisível.

Empresas moçambicanas que se orgulham do passado precisam perceber que a história só é valiosa quando alimenta o futuro, não quando serve de desculpa para a inércia.

A lição é simples

Quem não se adapta, desaparece. A sobrevivência empresarial hoje depende menos do tamanho e mais da capacidade de aprender, desaprender e recomeçar. A antiguidade pode ser uma medalha bonita para pendurar na parede, mas o que paga as contas é a capacidade de inovar todos os dias.

Enquanto algumas empresas se gabam de “serem antigas”, outras — mais pequenas, mais rápidas e mais ousadas — estão a escrever o futuro. E o futuro, como sempre, não espera por ninguém.

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