Maputo, Moçambique — Uma realidade incómoda e dolorosa tem vindo a público, expondo o que muitos descrevem como um problema silencioso dentro de vários lares moçambicanos: mulheres casadas que, à vista da comunidade, levam uma vida doméstica exemplar, mas, longe dos olhos do marido, sustentam-se através da prostituição clandestina.
A história, contada em vídeos e relatos anónimos nas redes sociais, tem chocado o público. A rotina é familiar — o marido sai cedo “à procura do pão de cada dia” — e logo depois, a esposa “meia-volta sai para um emprego que ele nem imagina”.
O suposto “emprego” é, na verdade, um duplo papel que mistura desespero, necessidade e segredos. Nos testemunhos, ouvem-se frases cruas e sem rodeios: “Hoje estou em promoção só para ti” ou “nas escadas paga-se sem caso”, deixando evidente a banalização de um fenómeno que mistura carência económica e perda de valores familiares.
Entre a crise e a moral
O fenómeno acendeu o debate sobre até que ponto a crise económica e o desemprego estão a corroer a integridade conjugal. Há quem veja nisto falha moral; outros, reflexo de uma economia sufocante que empurra mulheres à sobrevivência pela via mais imediata.
Sociólogos alertam que a desigualdade de género e o peso financeiro sobre as famílias contribuem para o crescimento de práticas encobertas. A ausência de diálogo conjugal e o medo da exposição social transformam o lar num palco de disfarces.
A pergunta que ecoa
A fonte que lançou o tema termina com uma provocação directa:
“Mas quem entre nós tem a certeza de que a sua esposa não faz o mesmo?”
A questão incomoda — e é justamente esse desconforto que traz à tona uma reflexão necessária. A confiança, a pobreza e a solidão dentro do casamento moderno tornaram-se ingredientes explosivos de um drama que, embora sussurrado, pode estar mais perto do que muitos imaginam.
O debate está lançado. Será esta uma realidade isolada, ou um problema social encoberto por vergonha e silêncio?




