Fez-se história no futebol africano: Cabo Verde venceu Essuatíni por 3-0, na noite desta segunda-feira, e garantiu, pela primeira vez, a presença no Campeonato do Mundo de 2026, que será disputado nos Estados Unidos, México e Canadá. Os Tubarões Azuis dominaram o jogo do primeiro ao último minuto e confirmaram o estatuto de uma das selecções mais consistentes do continente nos últimos anos.
Logo desde o apito inicial, o conjunto orientado por Bubista mostrou ao que vinha: posse, velocidade e agressividade ofensiva. Jogando alto no terreno, Cabo Verde encurralou a modesta Essuatíni, que limitou-se a defender com dez homens e a tentar transições rápidas que nunca saíram do papel.
O primeiro tempo terminou empatado (0-0), mas apenas graças às defesas de Shabalala, guarda-redes de Essuatíni, que travou remates de Jamiro Monteiro e Yannick Semedo. A justiça chegaria logo no recomeço: aos 48 minutos, Dailon Livramento inaugurou o marcador após uma jogada confusa na área. Pouco depois, Willy Semedo, servido por Diney, ampliou para 2-0.
Com o jogo controlado, os Tubarões Azuis abrandaram o ritmo, administraram a vantagem e deixaram a festa para o final. Já nos descontos, o veterano Stopira, de 37 anos, regressou à selecção após dois anos e selou o 3-0 definitivo, escrevendo o seu nome numa noite inesquecível para o futebol cabo-verdiano.
O governo de Cabo Verde havia decretado tolerância de ponto para permitir aos cidadãos assistir ao jogo histórico. E não foi em vão. O país inteiro vibrou com a vitória que lhes garante o primeiro Mundial da sua história, superando Camarões e Angola no grupo D das eliminatórias africanas.
O contraste com Moçambique: tão perto e tão longe
Para os moçambicanos, a façanha cabo-verdiana tem um sabor agridoce. A selecção nacional de Moçambique, os Mambas, também esteve muito próxima de alcançar um feito histórico — mas o derrota frente à Guiné-Conacri deitou por terra o sonho de disputar o Mundial pela primeira vez.
Enquanto Cabo Verde demonstrou organização tática, consistência defensiva e eficácia no último terço, Moçambique pecou precisamente nesses detalhes: perdeu pontos cruciais em jogos acessíveis e falhou na finalização nos momentos decisivos.
A diferença entre as duas selecções não está no talento — ambos os plantéis contam com jogadores espalhados por bons clubes da Europa — mas na maturidade competitiva. Os cabo-verdianos souberam crescer ao longo da qualificação, adaptando-se aos adversários e controlando os jogos, ao passo que os Mambas oscilaram entre boas exibições e apagões tácticos que custaram caro.
Cabo Verde colhe agora os frutos de um projecto de continuidade, com o técnico Bubista há vários anos no comando e uma federação que apostou na estabilidade e na valorização da diáspora. Moçambique, por seu lado, continua à procura de uma identidade de jogo clara e de maior apoio institucional ao futebol nacional.
Se há algo que esta qualificação deixa claro é que Cabo Verde mostrou o que Moçambique podia ter sido — um símbolo de superação africana no palco mundial. Os Tubarões Azuis mergulham no sonho que os Mambas deixaram escapar, mas a lição está dada: com disciplina, coesão e liderança, o impossível pode tornar-se história.
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