INATRO acusado de desperdício em missão falhada a Nampula

TV SUCESSO(SUCESSO INVESTIGAÇÃO)

Comitiva de topo para uma simples tarefa

O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) está a ser alvo de fortes críticas por mobilizar uma comitiva de oito altos quadros de Maputo para Nampula visando “apresentar um novo delegado provincial”. A missão, inicialmente prevista para dois dias (29 e 30 de Setembro), prolongou-se por mais de três dias e terminou sem que o delegado fosse empossado.

Entre os membros estavam o Presidente do Conselho de Administração (PCA), um inspector-geral do Ministério dos Transportes, quatro chefes de departamento (auditoria interna, recursos humanos, jurídico, comunicação e imagem) e um ajudante de campo.

Custos elevados e em contradição com o discurso oficial

Documentos consultados pela TV Sucesso (n.º 003/INATROIFENCA/900/2025) confirmam que a visita tinha carácter protocolar. No entanto, as despesas levantaram indignação:

  • 16 bilhetes aéreos ida e volta para os quadros de topo.
  • Mais de 140.000 meticais em ajudas de custo, estimando 6.000 meticais por dia para cada um dos oito membros durante três dias.

Os gastos contrastam com os discursos governamentais de contenção de custos e racionalização do erário.

Nomeação contestada gera recuo

Fontes em Nampula confirmaram que o cancelamento da cerimónia ocorreu devido à forte contestação local ao nome indicado para delegado provincial. O quadro escolhido é apontado como alguém sem a experiência e a perícia necessárias para liderar a instituição na província, levantando receios de má gestão.

Perante a resistência, o PCA e a sua comitiva realizaram longas reuniões de emergência antes de decidir adiar a nomeação. A delegação acabou por abandonar Nampula e deslocar-se para um distrito não especificado.

INATRO mantém silêncio

Até agora, o INATRO não prestou qualquer esclarecimento sobre os gastos nem sobre a polémica em torno do novo delegado. Contactado pela TV Sucesso, o instituto não respondeu.

A situação levanta questões sobre a gestão de recursos públicos: seria mesmo necessário deslocar uma comitiva de luxo para um ato protocolar? E por que motivo a direcção insiste numa nomeação contestada e considerada arriscada?

Quem liderou a missão do INATRO a Nampula?
O Presidente do Conselho de Administração (PCA) liderou a delegação, que incluía altos quadros do instituto e do Ministério dos Transportes.

Qual era o objectivo da viagem?
Apresentar o novo delegado provincial do INATRO em Nampula.

Por que a cerimónia foi cancelada?
Devido à contestação local ao nome indicado, considerado sem experiência suficiente para o cargo.

Quanto custou a missão?
Os custos superaram 140.000 meticais em ajudas de custo, além de bilhetes aéreos e logística.

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