Venezuela treina civis para manuseio de armas após movimentação naval dos EUA no Caribe — tensão cresce

Venezuela treina civis para manuseio de armas após posicionamento de navios dos EUA no Caribe

A Venezuela iniciou sessões de instrução ao público civil para o manuseio de armas, realizadas por unidades da Milícia Nacional Bolivariana, numa resposta oficial ao aumento da presença naval dos Estados Unidos no sul do Caribe. Caracas apresenta a mobilização como medida de defesa e dissuasão; opositores e analistas internacionais advertiram para o risco de escalada e de militarização da sociedade.

Contexto e gatilho do aumento de tensões

Nas últimas semanas, os Estados Unidos aumentaram a sua presença naval no sul do Caribe — operações que Washington descreve como parte da luta contra o narcotráfico e que incluem destruições de embarcações consideradas “narco-barcos”. O Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou publicamente que a acção faz parte de um esforço para enfrentar cartéis e redes de tráfico que operariam a partir de ou por meio de rotas vinculadas à Venezuela. Esse gesto foi usado por Caracas para justificar exercícios e mobilizações civis.

O que está a acontecer nas ruas e nos campos de treino

Vídeos, galerias de imagens e reportagens em vários media mostram grupos de civis, incluindo idosos e voluntários, a receber instrução no manuseio de armas e em procedimentos básicos de defesa. As acções têm sido conduzidas por unidades da Milícia Nacional Bolivariana e por forças militares locais, com exibições que vão desde exercícios de tiro básico até instruções de primeiros socorros e uso de máscaras. A circulação das imagens nas redes sociais e noticiários gerou forte viralização, alimentando debates sobre propósito e risco.

Quem treina os civis: a Milícia Nacional Bolivariana

A Milícia Nacional Bolivariana, corpo formalizado sob o guarda-chuva da defesa nacional venezuelana durante a era Chávez e reorganizada em estruturas recentes, tem sido a entidade encarregada de recrutar e treinar voluntários civis. Criada e reforçada durante a década passada, a Milícia funciona como componente das Forças Armadas e tem um papel declarado de “defesa integral” do território e da soberania, segundo legislação e fontes oficiais históricas. A sua mobilização em massa e a oferta de treino a civis são medidas que o Executivo venezuelano apresenta como medidas preventivas frente a uma “ameaça militar” externa.

A narrativa oficial vs. a recepção pública

O governo de Nicolás Maduro e os organismos militares locais dizem que os exercícios visam preparar a população para defender a soberania diante de um aumento de activos militares norte-americanos na região e de operações que, segundo Washington, combatem o narcotráfico. Já o presidente Trump e porta-vozes norte-americanos argumentam que as acções se inserem no combate a cartéis e a actividades ilícitas nas rotas marítimas. Observadores internacionais e parte da imprensa questionam a justificação e alertam que a presença de civis armados em treino pode exacerbar riscos internos e externos.

Imagens e relatos: o que os vídeos mostram

Galerias e vídeos amplamente partilhados (e compilados por agências) mostram civis em fileiras, manipulando fuzis do tipo AK, instruídos por militares; inclusivamente, há cenas com participantes de idade avançada. Autores das reportagens notaram que alguns treinos vêm acompanhados de desfiles militares e de acções de propaganda política, em que a retórica soberanista é muito presente. As imagens foram publicadas por agências como Reuters e recolhidas por meios internacionais que acompanharam a escalada de tensões no Caribe.

Risco de escalada e reacção regional

Especialistas em segurança regional alertam para o potencial de erro, incidentes e escalada: a combinação entre operações militares estrangeiras ao largo, retórica agressiva e mobilização de civis armados pode aumentar a probabilidade de confrontos ou incidentes indesejados. Organismos regionais e alguns governos caribenhos apelam à contenção, diálogo diplomático e verificação de informação para evitar uma crise maior. A imprensa também reportou que houve destruição de embarcações e vítimas em operações marítimas recentes, o que alimentou a narrativa de uma situação já tensa

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